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É hora de começar a limpar nossa própria sujeira

19.11.2018 às 12:46


Milena Andrade*

Quem aí já parou para ver de perto a empregada doméstica de casa ou diarista trabalhando? Geralmente, quem precisa — ou acha que precisa — pagar por essa mão de obra, ou trabalha fora ou vai cuidar de coisas “mais importantes” en­quanto o serviço é feito.

Pois bem. Na semana passada, tive a chance de presenciar a diarista finalizando a limpeza da casa ao chegar um pouco mais cedo do trabalho. Eram cinco horas da tarde. Ela tinha começado a fazer a faxina de manhã cedo e continuava. Pedi para ela ir tomar um banho e ir pra casa, afinal de contas, já estava tudo ok e ela devia estar exausta. Como resposta ouvi “não gosto de fazer nada mal feito, a casa tava muito empoeirada”. Insisti, mas não adiantou.


Fui tomada por um mal estar gigantesco. É justo que essa mulher negra, de quase 50 anos, mãe solteira, que tomou conta de meu filho desde bebê, por quem eu tenho tanto afeto, seja obrigada a se sustentar fazendo o trabalho que ninguém quer fazer? Não, não é justo.
Por que nesses doze anos que a conheço eu não a encorajei ou a ajudei a aprender um outro ofício?
Por que só agora percebo que um salário mínimo ou R$ 100 por faxina nunca pagarão o que ela dá a cada dia de trabalho, que exige dela muito mais do que apenas limpar e arrumar?


Qualquer pessoa que já se lançou nos serviços domésticos sabe do que estou falando. Limpar a própria sujeira é incômodo, chato, cansativo. Arrumar a própria bagunça idem. Se preocupar com o que vai ter na mesa amanhã também. Passar as roupas, lavar os pratos, tirar o limo que se acumula nos cantos do banheiro, quem quer “perder” tempo com tudo isso?


Não é por não termos tempo que contratamos empregas domésticas, é por não querer enfiar a mão nessa sujeira toda listada aí acima. É por acharmos que isso não é trabalho nosso. Não é à toa que, sem pensar muito, costumamos dizer ‘hoje estou no tronco’ ao cantarolar o ‘lerê, lerê’ da Escrava Isaura toda vez que ‘temos que’ encarar uma faxina básica. “Vida de negro” é difícil mesmo.


Essa crença tem raízes longínquas. Lá na formação do nosso país. Ela se construiu em cima da exploração de pessoas, no machismo e na misoginia. Cito aqui texto do blog Servir ao Povo de Todo o Coração sobre escravidão doméstica:
“Mesmo com o fim da escravidão decretado por lei de forma tardia em 13 de maio de 1888, a relação entre a dona da casa e a escrava se disfarçou na relação entre dona de casa e empregada, os que eram escravos agora estão — em teoria — libertos, e deverão ser incorporados como mão de obra no mundo do trabalho assalariado; para as mulheres negras isso se deu majoritariamente na continuidade do trabalho doméstico anteriormente desempenhado, mantendo quase as mesmas relações de trabalho entre senhores e escravas, desta vez a partir de novos arranjos sociais, o trabalho doméstico assume características muito próximas da estrutura escravista anterior”.
Nem precisa desenhar pra entender com o que a gente ainda segue compactuando.


É claro, para mim, que isso precisa ter fim. Não é ético, não tem coerência nos valermos dessa exploração e subordinação a outra pessoa para nos livrarmos daquilo que não queremos fazer, por preguiça, alienação ou nojo. Está na hora de sermos responsáveis por nossa própria sujeira, pelo fim dessa e de qualquer tipo de mão de obra que tenha que se sujeitar a situações de degradação e humilhação. Para aquele que pensa que sua empregada doméstica é tratada como uma pessoa da família digo que pare de se enganar. Você não deixaria para sua mãe a limpeza da latrina ou daquela panela cheia de fungo que esqueceu na geladeira.Exploração não é empatia. A ruptura necessária está nas nossas mãos. Vamos lá?


*É superintendente de jornalismo da Secretaria de Comunicação do Estado de Alagoas

*Publicado originalmente na edição 22 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

O desafio de cara do Governo Bolsonaro

19.11.2018 às 12:38


O governo de Jair Bolsonaro enfrentará de cara um dos maiores problemas do país: o déficit público, com previsão de meta para finalizar este ano na ordem de R$ 161, 3 bilhões. Não há mágica para solucionar essa questão e as estratégias contra esse desaguamento exigirão medidas duras na contenção dos gastos públicos, muito além das liberais reformas prometidas pelo presidente eleito em campanha.

O setor público consolidado, formado por União, estados e municípios, registrou saldo negativo nas contas públicas em setembro, de acordo com dados divulgados no último dia 29 pelo Banco Central (BC). 

O déficit primário – receitas menos despesas, sem considerar gastos com juros – ficou em R$ 24,621 bilhões, resultado 15,8% maior do que de igual período de 2017, quando chegou a R$ 21,259 bilhões.

Em setembro, o resultado negativo do Governo Central (Previdência, Banco Central e Tesouro Nacional) chegou a R$ 24,292 bilhões. Os governos estaduais registraram déficit de R$ 872 milhões, e os municipais, superávit de R$ 77 milhões. As empresas estatais federais, estaduais e municipais, excluídas as dos grupos Petrobras e Eletrobras, tiveram superávit primário de R$ 466 milhões no mês passado.
Nos nove meses do ano, houve déficit primário de R$ 59,321 bilhões, contra resultado também negativo de R$ 82,110 bilhões em igual período de 2017.

No acumulado em 12 meses encerrados em setembro, as contas públicas ficaram com saldo negativo de R$ 87,794 bilhões, o que corresponde a 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
A meta para o setor público consolidado é de déficit de R$ 161,3 bilhões neste ano.

Os gastos com juros ficaram em R$ 14,552 bilhões em setembro, contra R$ 32,049 bilhões no mesmo mês de 2017.
O déficit nominal, formado pelo resultado primário e os resultados dos juros, atingiu R$ 39,173 bilhões no mês passado ante R$ 53,309 bilhões de setembro de 2017.

De janeiro a setembro, o resultado nominal ficou negativo em R$ 362,663 bilhões, ante R$ 385,236 bilhões em igual período do ano passado. Em 12 meses, o déficit nominal ficou em R$ 488,835 bilhões, o que corresponde a 7,2% do PIB.

Já a dívida líquida do setor público (balanço entre o total de créditos e débitos dos governos federal, estaduais e municipais) chegou a R$ 3,543 trilhões em setembro, o que corresponde 52,2% do PIB, com aumento de 1 ponto percentual em relação a agosto (51,2% do PIB).
Em setembro, a dívida bruta – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais – chegou a R$ 5,246 trilhões ou 77,2% do PIB, com redução de 0,1 ponto percentual em relação a agosto.É a prova dos nove para quem se elegeu prometendo resgatar a economia nacional.


*Publicado originalmente na edição 22 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Voto Consciente

15.10.2018 às 18:54


Glauco Humai*

O que tem a ver uma asso­cia­ção que reúne os shoppings de todo o país com as eleições gerais do próximo dia 7 de outubro? A resposta imediata poderia ser “nada” ­– afinal, comércio é co­mércio, política é política e eleição é eleição. Ou, talvez, poderia ser “o interesse na eleição de um can­didato apoiado pela associação”. 

Pois é. Num país em que é considerado comum o egoísmo e o individualismo, parece natural o afastamento do processo eleitoral ou, no máximo, a defesa de um ou outro nome que represente a associação.
A boa notícia é que não é bem assim. A entidade que re­presenta os shoppings centers acaba de lançar a campanha Voto Consciente. São 10 dicas para incentivar o consumidor cidadão a se tornar, também, um eleitor cidadão.
Mas a troco de quê? O que levaria uma associação ligada a empresários e comerciantes a estimular seus consumidores a votar de forma consciente? Opa, consumidores ou eleitores? Ou seriam a mesma pessoa?
Quando o cidadão, que também é consumidor, chega a uma loja, ele analisa o produto, questiona o preço, aciona a famosa balança do “menor custo, maior benefício”, compara com outras opções e, finalmente, a partir de critérios objetivos como necessidade, preço e qualidade, faz sua opção e troca seu dinheiro pelo produto desejado.
Aí é que reside o ponto de conexão. As duas associações representam aqueles que dependem do consumidor para existir. Afinal, sem consumo não haveria venda, não haveria empresa, nem comércio ou indústria.
Mas eles dependem também de um país com a economia aquecida, com o consumo em alta, com estabilidade política, com oportunidades de empreendimento. Por isso, dependem igualmente do consumidor consciente, politizado, interessado em conhecer o destinatário de seu voto, caso tenha sido convencido de votar.
Diante desse quadro, vamos fazer as contas: em média, os shoppings recebem a visita de 460 milhões de brasileiros por mês. Considerando o total da população brasileira, é como se cada brasileiro fosse mais de duas vezes por mês a algum shopping. Talvez isso explique o avanço da conscientização do consumidor, hoje muito mais consciente e cauteloso do que no passado. Temos o consumidor cidadão.
Isso não acontece, porém, com as eleições. Muitos ainda consideram o voto um fardo, não um direito; uma penalidade, não uma oportunidade.
É nesse sentido que entra a campanha Voto Consciente. É preciso quebrar a lógica de que a política não vale nada, de que ninguém presta, de que todo mundo é ladrão e de que “alguém tem que fazer alguma coisa”, desde que não seja eu, e de que nada nos resta a não ser esperar um novo momento que ninguém sabe quando poderá chegar.
A campanha Voto Conscien­te propõe uma série de ações para que o eleitor que anda afastado de tudo o que diga respeito a política, passe a perceber tudo o que acontece com ele em todos os sentidos da sua existência.
Estão entre as dicas e orientações ao eleitor/consumidor: não se abstenha de comparecer às urnas; não venda seu voto; saiba como funciona o sistema eleitoral; entenda as funções dos cargos em disputa; conheça os candidatos; pesquise suas propostas e ideias; tenha cuidado com as fake news; fique ligado na campanha eleitoral; promova debates entre familiares, amigos, colegas de trabalho; e anote os números dos seus candidatos para não se confundir no momento da votação.O sítio www.votocosciente.inf.br oferece sugestões para ajudar o eleitor a se identificar com seus candidatos promovendo, assim, um voto de opinião, responsável e consciente, que será lembrado, no mínimo, pelos próximos quatro anos.  O futuro do país não depende dos políticos. Depende do eleitor, que é o responsável por conceder aos políticos a responsabilidade de representar a população.

Cientista político e especialista em Gestão Sustentável de Empresas, coordenador do Movimento Agora!e presidente da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce)

Publicado originalmente na edição 21 da Revista Painel Alagoas
Postado por Painel Opinativo

Turbulências e dúvidas na política e na economia

10.09.2018 às 16:23

Marcelo Bastos*


O povo brasileiro tem atravessado tempos de turbulência e de dúvidas acerca dos rumos da política e da economia, o que nos leva a refletir sobre a resignificação dos novos rumos e das novas escolhas.

Refletir apenas não será o suficiente. O descrédito da população em relação à classe política vem crescendo consideravelmente, principalmente no tocante aos personagens políticos já conhecidos e diante de tantos escândalos de corrupção e má gestão do dinheiro público.

Enxergamos através de consultas às pesquisas avaliativas, que há um processo de desmobilização do eleitorado em acreditar e escolher seus candidatos, o que pode ser constatado através do aumento no quantitativo de votos nulos, brancos e abstenções que ocorrerão na  eleição de 2018.

No cenário alagoano, não teremos, necessariamente, uma renovação substancial na nova composição da Assembleia e da Câmara Federal, renovação esta que  ocorrerá com  apenas 35% (trinta e cinco por cento) dos eleitos. Quase nada mudará. Os mesmos estarão no poder.

Importante salientar que a recuperação da crise que assola todo o país dependerá de quem  os eleitores escolherem; a “Democracia” tem essa grande virtude.

O eleitorado vive em um processo constante de busca de garantias e preservação dos direitos sociais, reflexo evidente e contínuo da ausência de políticas públicas, especialmente aquelas que versam sobre segurança; emprego e renda; saúde e educação.

Temos treze milhões de desempregados no Brasil, retratando o maior nível de toda a série histórica e gerando um tempo de incertezas, atingindo concretamente a economia alagoana e das demais unidades da federação,  porque abala a confiança das pessoas e afeta a qualidade de vida, a dignidade e sobrevivência da população.

O povo almeja ser visto , escutado e atendido pelas novas lideranças, em suas necessidades básicas e em suas expectativas de sobrevivência .

*É Analista Político


* Publicado originalmente na edição nº 20 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Um sistema desumano e precário

10.09.2018 às 16:09
Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Brasil, se prende muito, porém, se prende mal. Desse modo, o Estado parece não ser capaz de cumprir a sua responsabilidade em garantir os direitos, assis­tências pertinentes ao preso, assegurados pelo Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, como, por exemplo, o respeito à sua integridade física e moral.


Atualmente, o Brasil, conta com 1.424 presídios, sendo 4 federais e as demais unidades estaduais. No total, são 407.309 vagas, mas, ocupam as celas 686.594 detentos, maior que a população do Estado de Roraima – Segundo dados do Sistema de Informações Estatísticas do Sistema Penitenciário Brasileiro (INFOPEN). Assim, o Brasil ocupa o quarto lugar em população carcerária, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Rússia e China.

No Brasil, se prende muito, porém, se prende mal. Desse modo, o Estado parece não ser capaz de cumprir a sua responsabilidade em garantir os direitos, assis­tências pertinentes ao preso, assegurados pelo Artigo 5º da Constituição Federal de 1988, como, por exemplo, o respeito à sua integridade física e moral.

Entre outros pontos, são determinantes para a falência do sistema prisional brasileiro a lentidão na execução de processos e a superlotação dos presídios, gerando maior tensão entre os presos que, resulta em mais violência e rebeliões em diversos presídios Brasil afora.

A prisão, conforme tem sido concebida, não tem cumprindo com suas funções. Ela não pode garantir a ressocialização do encarcerado, pelo contrário, o criminoso, não ressocializado, volta para a sociedade mais distante de ser parte dela e mais próximo da agressividade e marginalização.

Segundo dados divulgados pelo Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), o Brasil teve um aumento na população carcerária de 267,32%nos últimos 14 anos. Colocando o país acima da média mundial no que diz respeito ao número de habitantes por pessoas presas. Atualmente, existem 306 pessoas presas para cada 100 mil habitantes, enquanto no mundo a média é de 144 para cada 100 mil.

Dados do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), apontam que 34% dos presos são provisórios. Os números impressionam e apontam a uma tragédia nacional. Para o Estado, o cárcere é a primeira opção para a questão da violência e da segurança pública, quando deveria ser o contrário. O Estado deveria apresentar medidas cautelares, não somente punitivas.

Hoje, o presidiário que cumpre uma pena, ou que, de outra maneira deixa a prisão, se depara com a realidade do descredito, desconfiança, desemprego, desprezo e do medo, restando a ele poucas alternativas que não o retorno ao mundo do crime. 

Em regra geral, no nosso país, o orçamento que é destinado ao sistema penitenciário, há muito tempo não tem sido suficiente para a manutenção dos direitos básicos, fazendo com que, o sistema carcerário mais se pareça com as masmorras do período medieval.

Diante de todas essas considerações, fica notório que é dever do Estado zelar por todo processo punitivo do detendo. Dever esse que não vem sendo cumprido e dá causa a uma catástrofe do sistema prisional.

Uma solução a curto e médio prazo parece ser inviável, entretanto, soluções paliativas poderiam reduzir os problemas enfrentados pelo encarceramento. Ademais, um sistema carcerário digno representa, de forma direta, a segurança da sociedade, afinal, se este não funciona de forma correta, cumprindo seus aspectos básicos, pode-se imaginar o quão vulnerável está a população.


* Texto enviado por João  Barbosa da Silva Junior  de  VLV Advogados Associados 

* Publicado originalmente no editorial da edição nº 20 da Revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

O mercado das fake news

13.08.2018 às 11:04
Ilustração

Candice Almeida*

Cada um é responsável pelo que publica e compartilha em suas redes sociais


O ex-presidente Lula foi expulso de um restaurante no Nordeste. O deputado Jair Bolsonaro terá o rosto estampado nas latas de Pepsi em sinal de apoio a sua candidatura. O juiz Sérgio Moro pediu para a população não reeleger nenhum político. O que estas notícias têm em comum? Todas elas são mentirosas.

Ninguém duvida que a internet é uma poderosa ferramenta dos dias atuais. Ao mesmo tempo que é capaz de facilitar as rotinas do cotidiano também é meio de fraude e oportunismo vil. Em voga estão as fake news. Nome moderno, americanizado, para problema antigo: mentiras travestidas de verdades. As notícias mentirosas não são novidades dos tempos de hoje. Não surgiram com a internet. 

No entanto, a Era da Informação também pode ser a Era da Desinformação, a depender de como o consumidor de notícias se comporta diante das novidades que lhe chocam – para o bem e para mal – nas redes sociais. Segundo pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, em inglês), as chances de uma notícia falsa ser repassada é 70% maior que a de notícias verdadeiras. Isto por que as notícias falsas possuem uma particularidade, despertam no leitor algum sentimento, seja prazer ou ódio. 

No Brasil, um levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação da USP estimou que cerca de 12 milhões de brasileiros já difundiram notícias falsas sobre política. Apesar do alto número, não é o caso de demonizar as ferramentas advindas da internet. Antes de portais de pesquisas como google e yahoo, as notícias mentirosas, veiculadas muitas vezes na imprensa tradicional, não podiam ser desmentidas com rapidez e eficiência. Atualmente, ao mesmo tempo que os aplicativos de comunicação aceleram a disseminação de informações falsas também viabilizam a checagem ou, ao menos, o questionamento.

Em ano de eleição, as fake news são uma preocupação maior para os que procuram garantir a lisura do processo eleitoral. Diariamente, é preciso estar apto a desmentir boatos que afrontam a legislação eleitoral ou os instrumentos de investigação e fiscalização no período que antecede o pleito. Os candidatos de hoje, assim como os de ontem, precisam se preparar para as “mentiras” que serão munição de adversários políticos. E precisam se adaptar aos rápidos meios de divulgação destas mentiras, afinal os mesmos meios podem ser rápidas ferramentas de desmentidos e esclarecimentos aos eleitores.

Apesar dos inúmeros benefícios dos recursos tecnológicos, a irresponsabilidade e a preguiça, principalmente, são os itens que sustentam o mercado das fake news. Cada um é responsável pelo que publica e compartilha em suas redes sociais. Bem como, pelo que acredita e faz crer, mesmo sem saber ou pesquisar. Passamos por um período realmente perigoso. E é importantíssimo que cada um cumpra seu papel na sociedade. Ter responsabilidade com o que publica e repassa é só um dos passos. Checar e esclarecer quem não possui conhecimento é função social de cada um de nós. 

E lembrem: votar nulo ou branco não anula eleição. Eis mais uma fake news. Votos nulos ou brancos são meros votos inválidos, portanto apenas beneficiam os candidatos que já estão na frente. Então se você quer mudar o status quo não aceite mentiras como verdades. Leia, pesquise, converse e debata, com respeito e sem paixões. Política se faz com responsabilidade e parcimônia, com bom senso e equilíbrio.


* Jornalista, advogada e assessora de comunicação do MPF/AL

*Texto publicado na edição 19 da Revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

A dita mole na alma dos outros é refresco

16.07.2018 às 15:36


Ênio Lins

Nos últimos tempos, grassam lições profundas de analfabetis­mo político casadas com explí­citas defesas de algo que deveria envergonhar gente de todas as idades e classes sociais.

“Justificados”, princi­pal­mente, como remédio contra o roubo de recursos públicos têm vindo à tona declarações efusivas do tipo “saudades da ditadura”, “inter­ven­ção militar já” e coices do tipo.

Quando esses miasmas come­ça­ram, ainda timidamente, a serem expelidos dos brejos (especial­mente) da classe média, um PM postou a frase “Pela volta do regime militar já!” sob uma foto de colegas oficiais cujas proe­minentes barrigas, com botões amea­çando romper as casas das fardas, cintos estufados pelas panças, numa demonstração ulu­lante de bom humor e cidadania.

Não demorou para o humorismo da caserna ceder lugar ao terrorismo oral de uma ruidosa parcela civil. Da comédia à tragédia quanto tempo será necessário?

A ignorância de boa parte dessa barulhenta militância se ali­menta da crença de que sob o regime imposto entre 1964 e 1984 a corrupção teria sido varrida do Brasil. É o principal pilar dessa corrente. Erro crasso. 

A corrupção vadiou nas duas décadas da “Redentora”. É ver­dade que denúncias de rouba­lheira não apareciam nas man­chetes e, em seu lugar, se liam receitas de bolos (!). Publicar receitas e versos de Camões no lugar dos escândalos era uma das formas de protesto. A corrupção e os corruptos estavam prote­gidos pelo silêncio forçado pela censura à imprensa.

O insuspeito (para os coxinhas) UOL, pertencente ao grupo Folha de São Paulo, publicou em 1/4/2015 um resumo inte­ressante, apesar de tímido: “Dez escândalos de corrupção durante a ditadura militar”. A matéria listou o seguinte decálogo: Con­trabando na Polícia do Exército; A vida dupla do delegado Fleury; Roubalheira dos governadores biônicos; O caso Lutfalla; Mor­domias do regime militar; Caso Camargo Correia; Comissões da General Eletric; General Newton Cruz & Caso Capemi; Coroa-Brastel; Escândalo Delfin.

Mas a reportagem poderia listar 100, mil... a censura escondia toda a bandidagem feita pelos in­tegrantes das gangues econô­micas e políticas.

A BBC Brasil divulgou, em 2016, matéria sobre a corrupção das grandes empreiteiras durante o regime militar. Poderia ter falado mais sobre a cascata de dinheiro desviado com a construção de Itaipu binacional (obra super­visionada diretamente pelos militares brasileiros e paragua­ios). Em termos da Petrobras, poder-se-ia alguém lembrar dos casos onde a estatal foi presidida por generais, como Araken de Oliveira, nos idos de 1977...

Em resumo: sem falar dos crimes de tortura, prisões ilegais, entrega das riquezas nacionais... se ficarmos apenas no item “corrupção”, veremos que a histeria de quem leva às ruas os relinchos pela volta de uma ditadura militar e/ou civil como solução ética é urro de seres desinformados e/ou mentirosos deslavados. Um urrar muito perigoso, reconheçamos.

*É jornalista, chargista, e Secretário de Comunicação do Estado de Alagoas

*Publicado na página Opinião da edição 18 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Bullying na escola. De quem é a responsabilidade?

16.07.2018 às 15:34

Bullying na escola. De quem é a responsabilidade?

É comum se ouvir que em algumas escolas, algum aluno já tenha denunciado ser vítima de bullying praticado por um colega. Incomum, é quando essa denúncia versa sobre professor e aluno, sobretudo quando o professor é suspeito de abuso moral, perseguição, intimidação a um ou mais alunos.  Mais grave, quando os estudantes são menores, crianças e adolescentes, amedrontados, acuados diante da hierarquia e da autoridade de quem os ensina, ou quando a escola se torna conivente com essa prática.

A maioria das vítimas desse tipo de abuso emite algum sinal, seja à própria escola ou em casa, à família, mas, infelizmente, é de forma tão silenciosa que não é percebido. Com o tempo, a vítima acaba por se responsabilizar pelas humilhações sofridas e a culpa a que se atribui, é capaz de fazê-la parar com esse grito abafado, chegando a se deprimir, isolando-se de quem possa descobrir o que a aflige, ou lidando com essa dor se pu­nindo fisicamente.

Quais os danos que o abuso moral sofrido na infância e na adolescência po­de causar a um adulto? Há estudos que mostram que o alcance chega à dificuldade em manter um emprego fixo, de­sen­volver relacionamentos sociais e até ser atingido por graves doenças, além de desordens cardiológicas desencadeadas por dependência em cigarro e álcool e pro­blemas de sono. As constatações, dizem especialistas, tornam a vigilância contra o bullying ainda mais necessária.

Mas será admissível que em dias atu­ais, um professor ainda seja capaz de desconhecer o que é assédio moral? Ignorar as sequelas que uma perseguição sistemática a um aluno possa provocar? Como ainda pode existir escolas que tentam esconder o problema, sob a (in)jus­tificativa de que “adolescentes mentem nessa faixa etária”, “que a intenção do professor não é humilhar o aluno quando debocha de uma nota (ruim) dele em sala de aula”, “que o professor errou por excesso de carga horária”, e coisas e tal que desqualificam a denúncia feita a partir da descoberta de que um menor sofre abuso moral na classe.

É preciso que pais e responsáveis se mantenham atentos, conversem com seus filhos sobre como se comportam seus professores, com eles e com seus colegas, é preciso que as escolas to­mem para si a vigilância rigorosa sobre o que fazem seus professores em sala de aula, que tenham mais atenção às queixas de alunos e pais nessa questão, que debatam o assunto coletivamente, que levem o tema para reuniões de pais de alunos, que não permitam que crianças e ado­lescentes sejam vítimas do despreparo emocional de alguns adultos de currícu­los profissionais considerados excelentes.

É preciso mais para estar em sala de aula e ensinar, é preciso entender o que acontece além classe com seus alunos, é entender que além de passar a limpo uma disciplina, se faz necessário que se tenha sustentação moral para educar.

Bullying não pode ser tratado como uma questão corporativista, em nenhum caso, muito menos como uma bobagem que se resolve com se fosse tão somente um mal-entendido. Na educação básica e fundamental, pode ser, até, mais do que uma infração penal, pode ser crime contra a criança e o adolescente, pode ser o desencadeamento de problemas psicológicos no presente e no futuro para quem sofre assédio moral.


*Editorial da edição 18 da revista Painel Alagoas

Postado por Painel Opinativo

Denunciar abuso é proteger a infância

04.05.2018 às 09:32

Elen Oliveira - Jornalista*

Há 18 anos, o Brasil se mobiliza, no dia 18 de maio, em defesa de meninos e meninas vítimas de abuso sexual. O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído em 17 de maio de 2000 (Lei 9.970) e a data foi escolhida em memória de Araceli Crespo, uma menina capixaba de 8 anos que em 18 de maio de 1973 foi sequestrada, violentada e assassinada. Três acusados como agressores foram denunciados e inocentados pela Justiça.

O relato deste crime se repete ano a ano para chamar a atenção para os sinais de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes e para nos mobilizar a denunciar, sempre que identificarmos indícios de sua ocorrência. Este ano, a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança lançou a campanha nacional Pode ser Abuso – Alguns segredos não devem ser guardados. Tendo como principal peça de difusão a hashtag #PODESERABUSO, a campanha tem como finalidades ajudar a identificar sinais que crianças emitem quando sofrem abusos e incentivar a denúncia de práticas abusivas.

Não é fácil falar sobre esse crime, que além da violência física e psicológica, envolve questões de ordem moral, assédio e ameaça. Em parte significativa dos casos denunciados, o agressor é adulto e tem ascendência sobre a vítima – são pais, padrastos, parentes, vizinhos. Há situações em que o agressor atribui à própria vítima a culpa pela agressão, revitimizando-a, em vez de protegê-la.

Não é fácil para uma criança ferida e ameaçada falar sobre tal tormento. Mas há mecanismos que potencializam a voz das vítimas e que ajudam a falar por elas. A campanha #PODESERABUSO pretende fortalecer essa voz. O abuso causa transtornos, deixa marcas e sinais visíveis. Há mudanças de comportamento perceptíveis aos familiares, colegas, amigos, professores, vizinhos. E há mecanismos de proteção que asseguram, inclusive, a confidencialidade do denunciante.

Disque 100 é a principal ferramenta para denunciar situações de abuso e violência sexual. A ligação é gratuita e por meio dela, qualquer pessoa pode salvar uma criança ou adolescente da violência sexual. “Só em 2015, foram registradas [pelo Disque 100] mais de 18 mil denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Isso significa que todos os dias, são feitas cerca de 50 denúncias. No entanto, o número pode ser bem maior, quando considerado que muitos casos permanecem em segredo”, informa a Fundação.

No endereço eletrônico http://www.podeserabuso.org.br/ estão disponíveis todas as informações, material de divulgação da campanha, ferramentas e mecanismos de proteção, sinais emitidos pelas vítimas de abuso e canais de proteção. Todos somos responsáveis pela proteção integral à criança e ao adolescente e devemos exercer essa proteção, mesmo quando não há vínculo familiar.   

Abuso sexual é crime e deve ser denunciado. Se identificar comportamento suspeito, #PODESERABUSO.  Disque 100. A ligação é gratuita, anônima e funcional todos os dias, 24h. Não silenciemos. “Alguns segredos não devem ser guardados”. Denunciar o abuso e a violência sexual é uma das formas de proteção à infância. 

*É jornalista e Amiga da Criança

Postado por Painel Opinativo

Janeiro Branco: sentidos e subjetividades

31.01.2018 às 16:44

 "O mundo à sua volta não é  algo 'dado' e definitivo; 

  é possível transformá-lo; você mesmo pode ser alterado

  ao se dedicar à tarefa de mudá-lo"

  Zygmunt Bauman


*Marcelo Sandes

Pensar a campanha Janeiro Branco é conversar e refletir um pouco sobre as nossas subjetividades: como dimensionamos e nos situamos na vida, tenhamos ou não maior consciência disso. De uma forma ou de outra, necessariamente somos efetados por cada condição particular de funcionamento que esboçamos ou adotamos.

Daí a complexidade e delicadeza que é falar de Saúde Mental - finalidade da campanha -, começando pelo desafio que é conceituar tal condição. Até que ponto não estar acometido por uma patologia, síndrome ou disfunção classificável é estar saudável? E se estou acometido, até que ponto o meu emocional pode influenciar e me ajudar no necessário processo de superação?

O Janeiro Branco convida a um exercício de  introspecção que nos habilite a olhar e estar mais atentos à nossa subjetividade, ao nosso emocional; às pulsações, impressões e sinais mais sutis que tantas vezes nos escapam, mas que poderão, oportunamente, pela regularidade e efeito cumulativo, servir de lastro às nossas  ansiedades e depressões.

Propõe ainda que  Saúde Mental implica perspectiva de bem-estar e qualidade de vida para além do conceito estrito de ausência de transtornos mentais, nos estimulando a pensar e ver os indivíduos em sua totalidade, em relação e interação, de forma integral, considerando o contexto social, político e histórico em que se inserem. 

Nessa perspectiva, falar de Saúde Mental é falar em prevenção, cuidado, atenção,  solidariedade e empatia. É falar do bem-estar e da qualidade de vida que precisamos nos propor a  construir a cada dia, a cada enfrentamento e superação, nas idas e vindas das nossas potencialidades e limitações. 

É, enfim, o olhar que se faz necessário em relação a nós mesmos e às pessoas com as quais  nos relacionamos no cotidiano - em casa, no trabalho, nas interações sociais -, de valorização do diálogo, da capacidade de escuta e do respeito mútuo, trabalhando assim a questão da prevenção, e do compromisso pessoal com a construção de uma vida mais satisfatória e produtiva.

*Jornalista e psicólogo

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