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08/07/2020 às 20h00

Geral

Pesquisa da Ufal desenvolve chave de identificação para girinos da Mata Atlântica

Estudo é o primeiro no NE que fornece caracterizações morfológicas de sapos, rãs e pererecas ainda na fase inicial de desenvolvimento

Divulgação

O Brasil é o país que abriga o maior número de espécies de anfíbios do mundo. A maioria destes animais vive na Mata Atlântica, logo, uma grande diversidade de espécies pode ser encontrada no bioma.

Os sapos, rãs e pererecas, chamados de anuros, em sua maioria apresentam uma fase larval aquática, a fase inicial de desenvolvimento, denominada girino. Identificar a espécie ainda nessa fase é um desafio pois além da semelhança morfológica entre eles, também há escassez de chaves de identificação. Na Mata Atlântica, bioma brasileiro com maior número de espécies de anuros, embora os girinos sejam amplamente distribuídos e abundantes, não há chaves taxonômicas suficientes.

Com o propósito de conseguir identificar a espécie com base na morfologia do girino, um grupo de pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) e Museu de História Natural (MHN) da Universidade Federal de Alagoas em conjunto com outras universidades do Nordeste e São Paulo desenvolveram uma chave dicotômica capaz de realizar a identificação de todas as espécies com fase larval conhecida e já registradas no bioma da Mata Atlântica, ao norte do rio São Francisco. A área abrange os estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Para elaborar as caracterizações morfológicas e possibilitar o fácil uso da chave taxonômica, os pesquisadores analisaram características de mais de mil girinos pertencentes a 63 espécies e 28 gêneros em 32 localidades.

A chave de identificação, pioneira para o Nordeste do Brasil e uma das mais abrangentes do país, inclui ilustrações e imagens, sendo um passo significativo para um melhor conhecimento dos girinos da Mata Atlântica. Ela foi construída em níveis taxonomicamente inclusivos e apresenta terminais para famílias, gêneros, grupos de espécies e espécies.

O estudo conta ainda com uma prancha que contém esquemas das características utilizadas na chave, uma proposta de padronização das características de formas do corpo dos girinos, a lista atualizada dos sapos da região e fotos das espécies da área de estudo.

De acordo com o biólogo Marcos Dubeux, pesquisador vinculado ao Laboratório de Biologia Integrativa do ICBS e ao Setor de Herpetologia do MHN e autor do estudo, a chave representa um importante passo para um melhor conhecimento dos girinos da Mata Atlântica.

“É uma grande satisfação ver o fruto de tantos anos de pesquisa, finalmente finalizado. Nesse caso em especial, um trabalho de cinco anos que só foi possível pelas grandes parcerias entre pesquisadores de diferentes instituições. Esperamos que este trabalho possa contribuir para o incentivo, aprimoramento e desenvolvimento de futuras pesquisas com girinos na Mata Atlântica brasileira” comenta.

Ele explica que sua paixão pelos girinos se iniciou por acaso. “No meu primeiro projeto de iniciação científica em 2015, fui incentivado pela minha orientadora, Tamí Mott, a continuar um projeto que se iniciou em 2012. Comecei então a trabalhar com genética de girino, identificando as espécies através do DNA. Como é notório, o domínio e disponibilidade desta tecnologia é muito restrito, apesar das facilidades permitidas por ela, como a identificação rápida e precisa das espécies. Posteriormente decidimos utilizar os resultados para elaborar uma chave morfológica de fácil uso para auxiliar estudantes, pesquisadores e profissionais de campo no desenvolvimento de pesquisas com essa tão pouco conhecida fase da vida dos sapos. Posso afirmar com toda a certeza que não poderia ter escolhido um tema mais apaixonante para trabalhar durante a graduação” pontua.

Este estudo científico intitulado Morphological characterization and taxonomic key of tadpoles from the northern region of the Atlantic Forest foi publicado na revista Biota Neotropica do Programa Biota/Fapesp da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e está disponível para download no site da SciELO.

Para explicar como funciona as chaves de identificação e abordar também sobre a fase inicial da vida dos sapos, Marcos Dubeux desenvolveu ainda um vídeo acessível como material de divulgação científica que pode ser encontrado no YouTube ou Instagram.


Fonte: Ascom Ufal

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