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15/04/2019 às 07h54

Cultura

Carnaval de Milão só termina no sábado

A quarta-feira de cinzas milanesa não é ingrata...

Dora Nunes

Por Dora Nunes, de Milão

Como é de conhecimento de todos, o carnaval mais famoso do mundo é o do Brasil, seguido pelo de Veneza, muito conhecido e apreciado por suas belíssimas máscaras. Na Itália, entretanto, também se distingue o carnaval de Milão, não tanto pelo esplendor, mas por suas particularidades, sendo a principal delas o calendário diferente, quando as festividades começam na quarta-feira de cinzas e terminam no sábado. Isso acontece porque a arquidiocese mila­nesa segue o rito ambrosiano, ao invés do romano, adotado no resto da Itália e do mundo.

Essa maneira diferente de calcular o início da Quaresma e que deu origem ao Carnaval Ambrosiano - também chamado de "Carnaval Antigo" - tem como explicação uma lenda cultivada na cidade, segundo a qual o Bispo Ambrosio (primeiro arcebispo de Milão, no século IV e posteriormente, padroeiro da cidade) pediu aos cidadãos milaneses que o esperassem voltar de uma peregrinação à Roma para que ele pudesse dar início às cerimônias eclesiásticas da Quaresma.  A festa teria sido prorrogada até a chegada do bispo e, desde então, o carnaval celebrado em Milão é o Ambrosiano, no qual  a Quaresma não se inicia na quarta-feira de cinzas, ou seja, no dia seguinte à terça-feira gorda, mas no primeiro domingo sucessivo e neste caso, então, o carnaval termina exatamente com o início da quaresma.

No carnaval Ambrosiano, os festejos tem o objetivo de saudar o Carnaval em grande estilo e se preparar para o período de meditação e penitência que antecede a Páscoa. As festividades tem como foco as famílias que saem pelas ruas fantasiadas e munidas de confetes, serpentinas e espumas. As comemorações tradicionalmente contam com desfiles de carros alegóricos, uso de trajes e máscaras tradicionais e shows noturnos pelas ruas da cidade. Como estamos na Itália, a culinária também faz parte dos festejos, com doces de carnaval como o chiacchiere (que quer dizer conversas, fofocas), feitos com farinha, açúcar, manteiga, ovo e vinho e podem ser fritos ou assados no forno, e os tortelli, feitos com a mesma massa, no entanto, recheados com creme, chantilly ou chocolate. 

Meneghino, o traje típico do Carnaval Ambrosiano - Criado no século 17 por um autor de comédias teatrais, o personagem carnavalesco mais famoso de Milão se chama Meneghino, cujo nome deriva de 'Domenichino' (diminutivo de domingo, em português). Meneghino era o nome dado aos servos contratados apenas aos domingos por nobres decadentes que não podiam pagar por serviços fixos. Esses servos deveriam acompanhar os nobres em seus passeios dominicais pela cidade e abrir-lhes a porta da carruagem. Nos festejos carnavalescos, Meneghino não usa máscara e está sempre acompanhado de sua esposa, Cecca, cujo nome é o diminutivo mila­nês de Francesca. Segundo a lenda, Mene­ghino era um empregado bom e espirituoso, que zombava dos defeitos dos nobres. O personagem se tornou um dos símbolos da cidade de Milão, ao ponto de os milaneses serem também chamados de “meneghini”.

Rito Ambrosiano - Na arquidiocese de Milão, o rito seguido é o ambrosiano, ao invés do romano, adotado no resto da Itália.  Comparado ao rito Romano, o Ambrosiano destaca-se por sua indumentária e alguns elementos da Missa (por exemplo, o ostensório é geralmente transparente e de uma forma diferente, a troca de paz ocorre antes da preparação dos presentes e a bênção final é precedida pelo Kyrie Eleison), além do calendário diferente para Quaresma, que não se inicia na quarta-feira de cinzas, mas no primeiro domingo seguinte. Historica­mente, a diferença é atribuída a alguns eventos catastróficos como o prolongamento de guerras, fomes ou pragas ou a transição para o calendário gregoriano a partir do final do século XIV. 


Fonte: Painel Alagoas

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