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26/04/2020 às 21h33

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A aparência nem sempre é real

Narciso na Fonte, Caravaggio


Vivemos em um mundo narcisista, onde o que aparento, o que mostro, o que represento está se transformando no eu sou. O parecer ser é a palavra de ordem e assim se consegue seguidores, adeptos, fãs, pessoas que seguem o que é aparente sem saber e sem nem tentar descobrir, o que é real. São selfies em lugares bonitos, com roupas da moda, em jantares encantadores com o fim de despertar admiração.

Quem é mesmo cada uma dessas pessoas que circulam nas redes sociais? Quais seus reais desejos, vontades, verdades internas? Quem são essas pessoas que sempre têm razão, cujas opiniões são únicas e imutáveis e que só ouvem o seu umbigo imaginário? Quem são aqueles que agridem numa postagem que tem opinião diferente da sua, que ofendem um amigo, que saem distribuindo certezas quando essas não existem? Quem são esses seres que mostram um vida perfeita, sem dúvidas, sem dores, sem remorsos? Quem são esses que sempre parecem ter noites de sono tranquilas e dias ensolarados? Quem são os que parecem não serem feitos da matéria prima humana? 

A prevalência do ter encolhe o ser. Encolhe o ser que chora, que tem dúvidas, que acorda com a face amassada e tem dificuldade de levantar. Diminui o ser que ama e muitas vezes desama, que tem raiva, que age insensatamente, que é muitas vezes incapaz e não sabe como agir. Mata o ser que tem medo, que precisa ser acarinhado e a quem falta dinheiro para completar o sonho. Faz desaparecer o ser que precisa de estímulo, de fé e de acordo internos.

Perfeição não é compatível com o ser humano. Não é compatível com a natureza do ser e estar no mundo, mas me parece que é o atual Santo Graal da humanidade. Ninguém consegue ser feliz não sendo o que se é, faz falta ao ser humano a verdade de ser e a aceitação da sua realidade. Neste momento compulsório de isolamento, volte para si, volte para a sua essência, descubram o que faz feliz a sua alma e provoque, agora, a verdadeira mudança que você deseja que aconteça depois da pandemia.

O mundo só muda se nós mudarmos, só muda com uma existência verdadeira e simples, sem artifícios. Somos nós os responsáveis pela mudança, cada passo dado é uma confirmação de que viver é mais simples do que parece e o ser feliz só depende de nós.   Não duvide da sua força e capacidade de mudança. É ela que lhe distingue dos inúmeros narcisos que rondam por aí.


Meg Oliveira, Psicóloga Clínica, Gestalt Terapeuta


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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