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05/04/2020 às 14h23

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Desistir é promover saúde


Li, um dia, a filha perguntando a mãe o que é desistir e a mãe responde que não sabe, pois “somos mulheres” (sic). Quando li a primeira vez eu pensei “como?”, com um sem número de interrogações. Como alguém passa uma mensagem tão aprisionadora para as mulheres? Como se pode pensar que uma mulher, ou não deve ou não pode desistir? E que isto possa ser visto como algo positivo e enaltecedor?

 A graça do viver está em possuirmos livre arbítrio, em ir, voltar, mudar, continuar, desistir...não querer mais e por isso podemos e devemos desistir. Nada no mundo pode nos subjugar a ponto de não podermos voltar atrás e é esta a lição que se deve dar a uma filha. 

Desistir muitas vezes é nos respeitar, tirar um fardo dos ombros, mudar a perspectiva e entregar. Entregar o que não nos compete mais, o que não mais nos interessa, o que não suportamos mais.  E até o que simplesmente não queremos mais. À minha filha e à minha neta direi sempre: desistam, mudem o caminho, mudem sua história sempre que sentirem que não estão felizes, que o caminho escolhido virou um peso. Persistam em tudo que trouxer felicidade e desistam de tudo que careça de significado. Mulher desiste sim e muito. E mais, devem desistir. Isto chama-se promover a saúde mental.

 Não consigo imaginar um ser humano preso em sua própria cadeia tendo na mão a chave. Com nossos desejos podemos sair das prisões emocionais e mudar, caminhar e retroceder, pois é isto que alimenta a nossa personalidade e nos torna a pessoa que somos. As nossas escolhas são tudo aquilo que temos para existir de forma eficiente e feliz. Não a felicidade ilusória de quem exige de si a excelência, mas a felicidade de ser livre para exercer sua vida em consonância com a sua vontade. Mulher desiste sim. Desiste se quiser e quando quiser. Mulher pode e deve ser livre para realizar sua caminhada pessoal. Mulher pode desistir e pode continuar, pode fazer escolhas que correspondam a sua vontade e promova a sua sanidade mental.

 Desistir, muitas vezes, é o que nos liberta de amarras imaginárias, é o que nos ratifica como ser humano, é o que nos conforta e nos acolhe na nossa caminhada pela vida. Desistindo ou não, a mulher ou qualquer gênero que for, o segredo é buscar sua inteireza, seu conhecimento de si e assim, perceber que é senhor ou senhora da sua existência.


Psicóloga Meg Oliveira por Meg Oliveira

Psicóloga Clínica, pós-graduada em Gestalt Terapia. Formação em Vegetoterapia, Psicoterapia Breve e Massoterapia. Atuando há 28 anos como Psicóloga Clínica. Procuradora aposentada do Poder Judiciário.

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