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06/06/2020 às 12h19

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Os arautos da hipocrisia


“Ainda me assusto com o ódio que escorre das palavras, nas palavras mal escritas, nas palavras cuspidas. É um ódio tão intenso que a gente não sabe onde levará. Ai a gente vai para as ruas e assiste essa mesma incivilidade”. (William Bonner).


Em tempos de pandemia e catástrofes também cresce nos políticos a nefasta prática de hipocrisia demagógica. Eles se apressam em aparecer como “salvadores da pátria” passando noticias falsas e se declarando autores ações que para os que não têm acesso às informações oficiais parecem ser atos de bravura e soluções.

Com um mandato pífio no Congresso o senador Rodrigo Cunha é mestre em criar artimanhas tentando se mostrar atuante, mas já se anuncia uma grande decepção para os milhares de eleitores que se sentem enganados por seu desempenho equivocado.

Esta semana quis aparecer mais uma vez ao cobrar do Ministério da Justiça providencias sobre a compra de 50 respiradores a uma empresa que fraudou e não entregou os equipamentos. Ele sabe que a compra foi efetuada através de um Consórcio composto por nove estados e efetuada pelo governo da Bahia, que lidera o pacto formal dos entes federativos. Dentro de sua ação demagógica ainda sugere que a “Polícia Federal dê apoio às investigações para que os danos à população alagoana sejam rapidamente compensados”. Ora, ao anunciar seus atos de “heroísmo” o senador sabia que o Ministério da Saúde, Ministério da Justiça e Polícia Federal já estavam em plena ação para a solução de fraude e com os fraudadores apontados. Tenta culpar o governo de Alagoas, que foi prejudicado juntamente com mais oito estados, que não cotaram, não julgaram e nem compraram os aparelhos diretamente. Quem precisa ser investigado é o governo da Bahia, responsável pela compra.

Rodrigo Cunha não pode querer inflar seu mandato que decepciona aqueles que nele votaram, com essas e outras ações que apenas diminuem sua história  e o coloca ao nível de igualdade com a prática política vigente que ele tanto condenou, mas pactua.

Bancada decepciona

A bancada alagoana na Câmara e no Senado tem decepcionado como sempre, quando se trata de ajudar o governo, independente de antagonismo partidário, a salvar vidas. Como exceção o deputado João Henrique Caldas (JHC) que tem feito um efetivo trabalho de trazer recursos para ajudar no combate à pandemia que afeta a vida do nosso estado, principalmente das pessoas mais vulneráveis.

O prefeito Rui Palmeira e o governador Renan Filho têm agido com responsabilidade a custo de um ônus grande diante da forçada atitude de restrição das atividades econômicas e de regras severas para isolamento social, mas colocando em primeiro lugar a saúde e a vida da população alagoana. Governo e prefeitura gastam recursos próprios com a pandemia enquanto não se efetivam os aportes prometidos pelo governo federal, as arrecadações despencaram em alta escala e há um esforço gigante para que os salário dos servidores permaneçam em dia. Fica difícil confrontar ações de governo com demagogia de políticos inescrupulosos. Mas a verdade prevalece e os mentirosos serão desmoralizados.

A Moro, o que é de Moro

A grande imprensa e as redes sociais criaram a maior confusão porque mesmo tendo sido exonerado do Ministério da Justiça, o ex-juiz federal Sérgio Moro irá continuar recebendo o salário que tinha no governo. Exatos R$ 31 mil durante seis meses.

Segundo as informações “essa foi a decisão da Comissão de Ética da presidência da República, A decisão foi  por unanimidade”

A comissão determinou que Sergio Moro não poderá advogar por seis meses, a contar da data em que ele deixou o governo, dia 24 de abril.

O argumento principal levantado pela comissão foi o conflito de interesses na atividade. Como foi imposta a quarentena, Moro vai continuar recebendo salário de ministro, de R$ 31 mil, durante o período.

A comissão, entretanto, liberou Moro para dar aulas e ser colunista de uma revista.

Para os que acharam um absurdo é preciso informar que a Comissão de Ética apenas cumpriu a lei. Com uma decisão diferente Sérgio teria o benefício pela Justiça.

Burros ou desonestos?

Os vereadores de Maceió aprovaram esta semana projeto de lei inconstitucional, em ato de declarada demagogia em plena pandemia da Covid-19. Poder legislativo nenhum pode gerar despesas para o executivo, com impacto financeiro nas contas públicas e sem apontar de onde sairá os recursos devidos.

O auxílio emergencial para trabalhadores informais em Maceió não se sustenta e os vereadores que o aprovaram sabem muito bem disso. Com perdas significativas de repasses federais desde o ano passado, sem arrecadação este ano e já sofrendo queda nas finanças com a suspensão de impostos no Pinheiro e Bebedouro há quase um ano, a prefeitura da capital tenta manter salários em dia e insumos e prioridade na saúde pública.

Tudo isso é coisa de ano eleitoral e irresponsabilidade do autor e de quem aprovou a aberração.

Supremo insultado

Nunca o Supremo Tribunal Federal foi tão desmoralizado. Esta semana uma aliada do presidente Bolsonaro vai para frente da Corte e chama o ministro Alexandre de Moraes de “FDP arrombado”, outro usa as redes sociais para dizer que o ministro é um “moleque”. Tudo isso, em tese, chancelado pelo Palácio do Planalto. Não há lições a tirar disso, a não ser que o Brasil carece de referências, que os “heróis” morreram e os vilões tomaram conta do país.   

Não há lado a escolher porque a paixão, o ódio, o desejo de revide agora  prevalecem sobre o bom senso.

Há um incendiário no Planalto e um grupo de zumbis espalhando gasolina  na democracia. Do outro lado da Praça dos Três Poderes, um ministro age como delegado,  promotor  e juiz. Ele investiga, acusa,  julga e pode condenar. Não é este o papel de um ministro da Suprema Corte.

Esse comportamento apequena um dos poderes mais importantes da República. E reforça a tese do ódio - que reside em vários gabinetes de Brasília.

Os brasileiros procuram  um herói que lhes aponte caminhos, que  abra  as janelas para os raios do sol entrar. Procuram uma referência, mas só encontram anti-heróis, com atos questionáveis  que só  aprofundam crises e produzem desesperança. Para onde caminhará o país?

Comércio deverá abrir gradativamente em breve, mas as pessoas não poderão sair de casa. E ai quem vai comprar?

Eleições estão sendo definidas para dezembro. Em breve os “mascarados” estarão na sua porta pedindo votos.

Avançando as obras da Nova Maceió. Surgem melhorias em todos os bairros da periferia. A cidade está se transformando. A população agradece.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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