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24/05/2020 às 17h15

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O impeachment vai acontecer?

PT, Psol, PCdoB e PCB protocolaram um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados

“O bolsonarismo é um desserviço à direita e ao conservadorismo. São caricatos, agressivos, estúpidos. Digo mais, Bolsonaro é o Lula da direita. Nada mais que isso”. (Adriana Vandoni – Jornalista).

(BRASÍLIA) - No dia de ontem (21),  os partidos de esquerda PT, Psol, PCdoB e PCB protocolaram um pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados. A ação tem o endosso de mais de 400 entidades civis e movimentos populares. "Até agora este é o pedido de impeachment mais amplo, unitário e significativo da oposição de esquerda brasileira", diz o Psol em comunicado enviado para a imprensa.

“Desde 25 de abril o Psol vinha liderando a construção desse pedido de impeachment. Convidamos todas as legendas de oposição a se somarem, além das organizações e movimentos sociais. Agora temos uma iniciativa ampla e forte, que, de fato, representa uma parcela importante da sociedade”, afirma Juliano Medeiros, presidente nacional do partido.

O pedido elenca uma série de ações praticadas por Bolsonaro e questionadas pela oposição, como "a convocação e comparecimento nos atos contra a democracia e pelo fechamento do Congresso e do STF, a interferência nas investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, a falsificação da assinatura de Sérgio Moro na exoneração de Maurício Valeixo do comando da PF e as declarações durante a reunião ministerial de 22 de abril", dentre outras.

Também estão na argumentação "os discursos de Bolsonaro atentando contra o STF, a convocação de empresários para a 'guerra' contra governadores no meio da pandemia, o bloqueio da compra de respiradores e outros equipamentos de saúde por estados e municípios, o apoio à milícia paramilitar conhecida como 'Acampamento dos 300', a incitação de uma sublevação das Forças Armadas contra a democracia brasileira, além de seus pronunciamentos e atos durante a pandemia que configuram crimes contra a saúde pública".

“É uma longa lista de crimes contra o livre exercício dos poderes constitucionais; dos direitos políticos, individuais e sociais; contra a segurança interna do país e contra a probidade administrativa. Não há mais como justificar a permanência de Bolsonaro no cargo. Ele precisa sair urgentemente”, conclui Medeiros.

O pedido de impeachment, porém não conta com a união de todos os partidos de esquerda, ficando de fora Rede, PSB e PDT, que fazem parte da frente progressista. 

Segundo juristas que se pronunciaram sobre o pedido trata-se do mais robusto entre os mais de 30 apresentados até agora. Consultado pela coluna o cientista político Natanael Alencar (UnB) faz a seguinte análise: “No momento dificilmente a Câmara pautará qualquer pedido. As esquerdas desorganizadas apostam na derrubada de Bolsonaro, esquecendo que tem o Mourão no meio do caminho antes de uma nova eleição na qual mais uma vez perderiam “. 

Em minha opinião acredito que mesmo diante de tantos desacertos Bolsonaro terminará o seu mandato, com chances de se reeleger, a não ser que o governo com seus novos e temerários aliados descambe para atos de corrupção. Na política brasileira, nos próximos meses tudo poderá acontecer. Inclusive nada.   

A imprensa agredida

Os jornalistas brasileiros, mesmo vivendo em período democrático e com liberdade de expressão passam por uma fase inusitada em seus direitos de informar e exercer suas atividades. O absurdo das agressões sofridas pela imprensa é o incentivo do próprio presidente da República quando ele mesmo desrespeita atacando irresponsavelmente profissionais em frente ao Palácio da Alvorada. Quando questionado sobre a mudança no comando da Polícia Federal do Rio de Janeiro, o presidente mandou os repórteres calarem a boca. Bolsonaro ainda atacou o jornal Folha de S. Paulo, chamando o veículo de "canalha", "patife" e "mentiroso".

Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), foram monitoradas 179 agressões contra a imprensa vindas do presidente da República somente nos primeiros quatro meses de 2020.

Desde o início de seu desgoverno um presidente tresloucado e destrambelhado quase que diariamente usa sua verborragia para agredir jornalistas e incentiva essas agressões por parte de sua manada de seguidores  fanáticos.

O incentivo a agressão 

O cinegrafista Robson Panzera, da TV Integração, afiliada da Rede Globo em Barbacena (MG), foi agredido por um militante que gritava palavras de ordem contra a emissora na quarta-feira (20). O profissional teve sua mão quebrada ao ser atingido pelo tripé da câmera.

O agressor, Leonardo Rivelli, agrediu o cinegrafista e depois chutou a câmera. Em seguida, deixou o local de carro. Ele é empresário do ramo alimentício e acabou sendo encaminhado à delegacia para prestar depoimentos. Panzera foi levado para a Santa Casa de Misericórdia de Barbacena para ser atendido

Durante sessão da Câmara dos Deputados, o líder do PDT, Wolney Queiroz (PE), se solidarizou com os jornalistas agredidos. No domingo (17), a repórter Clarissa Oliveira, da Band, também foi agredida durante uma manifestação contra o isolamento social.

Por meio de nota, a Abraji repudiou  as agressões e afirmou exigir "que as autoridades policiais apurem o ataque e punam os responsáveis. Os jornalistas, cada vez mais vulneráveis à fúria e aos desatinos de militantes radicais, precisam de segurança para trabalhar e circular, pressupostos básicos em regimes democráticos. [...] Se os fanáticos temem os fatos e resolvem fazer justiça com as próprias mãos, instamos que os governantes cumpram, nos âmbitos federal, estadual e municipal, o que é garantido por lei e lembrado em uma cartilha do próprio governo federal. Nela está escrito que agentes do serviço público não devem adotar “discursos públicos que exponham jornalistas a maior risco de violência ou aumentem sua vulnerabilidade”, conclui a entidade.

Crime hediondo 

Esta semana circulou com muita força em Brasília a ideia de formalizar uma legislação emergencial tratando como crime hediondo qualquer desvio de recursos destinados ao combate ao Coronavírus por parte de agentes públicos nas áreas federal, estadual e municipal. Os órgãos de Controle Externo estão abarrotados de denúncias e mesmo de  fartos indícios de fatos que comprovam contratações irregulares, fraudes em contratos e superfaturamento na aquisição de equipamentos e serviços , principalmente nos estados e municípios.

Alguns órgãos trabalham com a possibilidade da instalação de uma força tarefa, integrada também pela Polícia Federal, para uma varredura consistente nos locais onde as denúncias ou a constatação de indícios indicarem haver suspeitas de corrupção. 

Uma pena, as pessoas morrem e os políticos fazem festa.

Alagoas está entre os três estados onde são apontadas mais suspeitas de desvios de verbas do combate ao Coronavírus, nas prefeituras municipais. Não me surpreende. 

O governo do estado não deu nenhuma resposta às graves acusações do Ministério Público sobre a retenção de medicamentos para salvar vidas do Covid 19. Quem cala...

Bancada alagoana em Brasília, fala muito, mas na realidade não mostra nenhuma ação prática de ajuda ao combate á pandemia. A exceção do deputado JHC.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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