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16/05/2020 às 12h09

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Os "ideologistas " e a óbvia rejeição a Bolsonaro


Só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve. Ditaduras vêm com violência contra os adversários, censura e intolerância. (Ministro Luiz Roberto Barroso). 


Tenho lido textos de “ideologistas” opinando que o presidente Bolsonaro deveria resolver sua rejeição óbvia, comprando todos os parlamentares, órgãos de imprensa e jornalistas. Tola e infeliz afirmação. Pelo seu histórico parlamentar e familiar creio que o presidente aceitaria de bom grado a proposta. Porém do outro lado não seria bem assim. Embora em um pandemônio de podridão ambiental, existem deputados e senadores “invendáveis” e comprometidos com o interesse público e em manter um honrado mandato. Ele compraria muitos, mas não todos.

Quanto aos órgãos de imprensa faria “boas negociações”, mas haveria as exceções, sem dúvida.

E os jornalistas? Aí o caldo entorna. Compraria poucos.

Como no rol de quaisquer profissionais, Advogados, Magistrados, Promotores, Procuradores, Engenheiros e todas as demais categorias, existem os bons e os maus.

Não são poucos os jornalistas que se pautam pela moral e a ética. Exercem a sagrada missão de informar como um sacerdócio e fiéis aos princípios da notícia honesta.

Costumo dizer que jornalista não é juiz para ser imparcial, mas precisa se pautar pela verdade.

Fico pasmo quando vejo pessoas aparentemente inteligentes se misturam a um bando de alienados em defesa do presidente Bolsonaro, flagrantemente comprovado incapaz de conduzir um Circo, quanto mais um país como o nosso Brasil.

Quero citar um caso pessoal para mostrar que as coisas não são tão certinhas no atual governo. Eu exercia a presidência do Conselho de Administração de uma estatal, em Brasília, cujo mandato terminaria em Dezembro de 2019. Em meu mandato inovei, aprovei mecanismo de controle, governança e “compliance”, juntamente com os demais conselheiros e uma competente equipe técnica e era considerado como exigente com a administração, que por sinal era composta de executivos eficientes, probos e éticos.

Com a chegada do novo governo fui procurado por um emissário do Ministério. Conversando sobre o órgão sugeriu indiretamente que eu deveria ser mais “compreensível” com a nova gestão. Não gostei da conversa. Pedi audiência ao ministro e entreguei pessoalmente minha renúncia à presidência e ao cargo de Conselheiro. Os propósitos do governo não combinavam com os meus.

Deixei alguma marca positiva em Brasília. Pouco tempo após recebi o convite para integrar o Conselho de Administração de órgão no Governo do Distrito Federal, onde permaneço, no exercício pleno de minha cidadania e meu compromisso com a ética e a moral.

Protagonismo responsável

O prefeito Rui Palmeira e o governador Renan Filho se uniram e têm comprometido suas agendas na luta contra Coronavírus de maneira integral. Não medem esforços para salvar vidas de alagoanos, infelizmente atingidos por essa terrível e mortal pandemia. Pelo contato direto com pessoas e locais públicos o governador foi contaminado e o prefeito, mesmo diante da ameaça todos os dias está visitando postos de saúde, vistoriando obras e tocando sua administração pra frente, fazendo uma “nova Maceió” para deixar como legado. Ambos são forçados a tomar medidas duras e recebem críticas injustas, pela preocupação com o aumento de casos, adoecendo e matando muitos. Têm consciência do abalo econômico, do desemprego e do desespero de muitos empresários, mas com a consciência da responsabilidade decidiram optar pela vida. Enfrentam com cabeças erguidas os ataques nas redes sociais, o protesto de alguns nas ruas e até os valentões de ocasião que pela arrogância e exibicionismo vão vomitar insanidades e ameaçar como se fossem os senhores de engenho de outrora falando aos seus “cambiteiros”. Os dois não fazem da pandemia palanque eleitoral, como em outros estados, são exemplarmente protagonistas em um momento gravíssimo. Escancaram as contas públicas para que todos possam conferir os números gastos no enfrentamento da crise e cumprem o dever constitucional da publicidade dos atos de governo. Precisariam mais compreensão por parte do povo que estão lutando par salvar. Mas isso é outro problema.

Uma história de Guilherme

Todos sabem da minha convivência com Guilherme Palmeira, sobre o qual estou escrevendo sua biografia. Ele era uma pessoa que jamais perseguiu ou fez mal a alguém, mas guardava suas mágoas. Um dia qualquer em que fui lhe visitar já bastante debilitado, ele me contou uma história. – Determinado político que ele muito ajudou a subir e ocupar cargos importantes, por puro instinto de ingratidão e falta de caráter ofendeu diretamente o seu filho, Rui Palmeira, em uma eleição. Certo dia recebeu a visita de um amigo que como emissário desse político lhe perguntou da possibilidade de recebê-lo para uma visita. Ele foi taxativo: “prefiro que não”. Guilherme era assim. No seu livro darei nome e sobrenome ao personagem.

Carlos Mendonça

Alagoas perde uma de suas mais ilustres figuras esta semana. O conheci na década de 70, no gabinete do seu irmão e meu amigo José Alfredo, conselheiro do Tribunal de Contas. Com o tempo nos aproximamos por influências familiares e pelo prazer de nos encontrar. – “Pedrinho”, era assim que ele me tratava. Afora o importante homem público que foi era de uma generosidade sem tamanho. Tinha sempre uma palavra de carinho e estímulo. Citava sempre a minha coluna como uma de suas leituras. O destino me fez ser colega de sua filha Rosa Mendonça, como procuradores e nos tornamos amigos de coração. Carlos Mendonça deixa um legado de honradez, sabedoria e humanidade.

Poderes x Poderes

Este país está mesmo enlouquecido – diria Montesquieu se aqui estivesse. – Como em uma tragédia grega, quebraram a teoria dos poderes e a suposta “harmonia” transformou-se em um antagonismo, buscando ver “quem manda mais”, rasgando a Constituição e abrindo um confronto com previsível desastre. O presidente não pode mais exercer o poder de nomear (atribuição exclusivamente sua) seus auxiliares a exemplo do diretor da Polícia Federal e outros cargos, impedido por ordens de ministros do Supremo Tribunal Federal. Busca-se anular a nomeação da presidente do Iphan, porque não é arquiteta, quando as normas legais não impedem. Instalou-se o poder da toga, nem sempre exercido por pessoas probas e nem mesmo qualificadas. O Legislativo se desvirtua e exerce apenas o “poder da conspiração”, dos negócios espúrios e da lambança. Culpam o destrambelhado presidente por tudo. Há uma guerra nos bastidores dos podres poderes. E nós pagaremos por isso.

Prefeitos do interior estão “enchendo a burra” com o dinheiro para fazer frente à pandemia. Onde está o Ministério Publico e Tribunal de Contas? Em quarentena, certamente.

Eleições vão ser adiadas, porém haverá complicação se passar de dezembro. Ai vai ter que alterar Constituição e leis específicas.

Sem fazer alarde deputado Paulão (PT) tem sido muito atuante no enfrentamento do Covid 19, por Alagoas.

Rui Palmeira vai entregar, no final do seu mandato, mesmo com toda dificuldade, uma nova Maceió. 


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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