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24/08/2018 às 17h04

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E o que virá depois?


Para refletir: Alô Policia Federal e Ministério Público – o dinheiro está correndo solto na compra de votos. Vão agir?


E o que virá depois?

Faltam poucos dias para a eleição que certamente mudará o país, para melhor ou para pior, se é que ainda cabe mais “tragédia” na vida de cada brasileiro.  Nos preparamos para escolher, quem sabe, o menos ruim entre a lista de presidenciáveis que nos estão sendo oferecidos. Tem candidato para todo gosto: o encarcerado por corrupção, o militar tosco, de direita radical, o descompensado emocionalmente, o milionário “novo”, um policial ensandecido, um invasor de propriedades, além de outros com perfis indefinidos, mas nenhum que você posa chamar de “meu presidente”. Todo esse imbróglio eleitoral criado pela crise institucional que se abate sobre o Brasil.

No entanto o prognóstico de uma eleição especialmente marcada pelo descrédito com a política e as instituições ainda não se concretizou, pelo menos nas pesquisas de intenção de votos.

De acordo com um levantamento feito com dados do Datafolha, o volume de pessoas que declaram votar em branco, nulo ou que ainda não decidiram seus votos está dentro da média histórica do período da redemocratização. Isso indica que o nível de abstenções também não deve ficar fora da média dos últimos sete pleitos, segundo o cientista político do Insper Fernando Schüller.

A proporção significativa de eleitores que declaram voto nulo ou branco não é anormal para o período, porque, para os brasileiros, ainda não chegou a hora de conhecer os candidatos a fundo.

Existe hoje uma overdose de informação, uma certa instabilidade política. Então, o eleitor, até para se proteger, acaba adiando o momento de decisão para quando a campanha começa na televisão, explica. A decisão é tomada nas duas semanas finais.

E, no momento da campanha, tudo pode mudar. Se por enquanto o que vale são as redes sociais e a sensação difusa de revolta, depois que a campanha começar, outros fatores começam a ganhar peso, como as alianças partidárias, o tempo de propaganda eleitoral e o dinheiro que o candidato tem à disposição.

E esse é exatamente o cenário que se delineia nesta eleição, segundo o cientista político. Há mais opções de candidatos no cardápio, além de todo um nicho que não tinha representação desde 1989, que são os eleitores conservadores que passaram a se sentir contemplados pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC).

Ainda para o cientista  Fernando Schüller “o fim da era da polarização entre PT e PSDB e a ruptura para um modelo de pulverização, no qual há vários candidatos com propostas diversas, completa os argumentos que mostram que a eleição é menos atípica do que parece”.

Portanto, não é que o número de abstenções vá diminuir nesse ano. O que acontece é que, havendo o potencial de que essa taxa crescesse devido ao sentimento de descrença com as instituições, a proporção deve se manter dentro da média. Resta-nos saber agora é o que virá depois.


Fernando Collor

Ganha corpo a cada dia a candidatura do senador Fernando Collor ao governo do estado. Desde que surpreendeu a todos com o lançamento de seu nome as adesões crescem e esses resultados se farão sentir nas próximas pesquisas eleitorais. Tem favorável a ele seu carisma incontestável, sua capacidade de mobilizar multidões e a identificação com o eleitor das camadas mais pobres. Expert em mídia e comunicação, com toda certeza, terá em sua aparição nos programas de televisão uma imensa vantagem em relação ao seu adversário, que se comunica bem, mas não é nada convincente em seus discursos. Me dizia uma pessoa  com estreita ligação com o senador: “Collor entrou para ganhar e vai ganhar essa eleição”. Eu acredito.


Renan Filho

Estava “surfando na maionese”, com uma eleição ganha em “WO” e até fazia pouco caso das alianças politicas que lhes eram ofertadas. Desdenhou de aliados, pois não precisava de votos. Fez uma gestão razoável, mas mentiu muito e essa marca ficou em sua personalidade. Autoritário, deixou nos últimos anos lideranças políticas descontentes pelo tratamento arrogante e desrespeitoso, muito de sua característica. Muitos o seguiram por falta de opção ou por temor de perseguição, principalmente os prefeitos que vivem dependendo das migalhas do governo. Sabe-se que muitos dessas lideranças começaram a migrar para o lado adversário e já se especula na possibilidade de uma debandada dependendo do desempenho de Fernando Collor. Agora tem adversário. Pode ganhar ou perder, claro.


Superior ao superior

O ministro da Secretaria do Governo, Carlos Marun, fez algumas sugestões ao candidato Henrique Meirelles, e a deputados do MDB. Na mensagem, revelada pelo jornal Folha de S. Paulo  o articulador político do presidente Michel Temer fala em manter o programa Bolsa Família, mas sugere uma série de outras mudanças, como um “valor mínimo para o atendimento pela saúde pública”. O Sistema Único de Saúde (SUS) permaneceria gratuito “somente para aqueles que são realmente carentes”.

O ministro afirmou que as propostas são suas “posições pessoais”, a serem discutidas com Meirelles com o partido.

Meirelles confirmou que recebeu o texto de Marun, que propõe ainda uma “leniência” ao caixa dois de eleições passadas - uma tentativa de aprovar uma medida semelhante se deu em 2016 na Câmara - e uma nova instância da Justiça, uma Corte acima do Supremo Tribunal Federal (STF).


Débil mental

Ao comentar a interferência do Palácio do Planalto para pôr fim ao flerte (que foi abortado) entre o grupo de partidos chamado de “Centrão” com o presidenciável Ciro Gomes (PDT), o ministro o chamou de “débil mental”.

Marun afirma na mensagem que o veto ao apoio de PR, DEM, PP e PRB à candidatura do pedetista ajudou o tucano Geraldo Alckmin (PSDB), mas que isso não era “de todo ruim”.

Marun afirmou que não teria se referido ao ex-governador do Ceará dessa forma se soubesse que a mensagem se tornaria pública e emendou que um candidato à Presidência “deve ser publicamente tratado com maior respeito”, independente de posições pessoais. No privado então pode descer a lenha e pedir não vazar.


As chances de Marina

Na recente pesquisa do Datafolha a apontar preferências nas eleições presidenciais mostra que, em cenário sem o ex-presidente Lula candidato, Marina Silva (Rede) e Jair Bolsonaro (PSL) chegam ao segundo turno. Ainda de acordo com o instituto, num confronto direto, Marina teria 44% e o deputado federal teria 33%. 

Nos cenários com o ex-presidente Lula, porém, os candidatos de Rede e PSL, assim como Geraldo Alckmin (PSDB), seriam derrotados. 

O Datafolha fez 4.194 entrevistas, entre os dias 11 e 13 deste mês, em 227 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.


Bolsonaro fugindo

Depois de dois confrontos que o deixaram desnorteados e revelaram deslizes na sua trajetória política (com Marina Silva – Rede – e Guilherme Boulos – Psol) o controvertido Jair Bolsonaro anunciou que não participará mais de debates. 

O presidente do partido e braço direito do candidato, Gustavo Bebianno, disse que a campanha reavalia a participação do presidenciável nos próximos debates na TV. “Ele está de saco cheio e são inócuos, que não levam a nada. Não sabemos se ele vai aos outros. Nos debates tem fórmula milagrosa para tudo. Ganha quem mente mais”.

Tudo isso é medo de ser confrontado e desmoralizado a cada debate. Vai começar a cair.


Pedro Oliveira por Pedro Oliveira

Jornalista e escritor. Articulista político dos jornais " Extra" e " Tribuna do Sertão". Pós graduado em Ciências Políticas pela UnB. É presidente do Instituto Cidadão,  membro da União Brasileira de Escritores e da Academia Palmeirense de Letras.

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