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Novo presidente do TSE manda "recados" para Bolsonaro

Em posse, prestigiada virtualmente, Luis Roberto Barroso manda "recados" ao presidente

26.05.2020 às 14:35

A Posse

O ministro Luís Roberto Barroso, 62 anos, assumiu nesta 2ª feira  o cargo de presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que organiza as eleições. Em seu discurso de posse  mandou diversos recados ao presidente da República, Jair Bolsonaro, que acompanhava a cerimônia por videoconferência e não falou.Também foi empossado o vice, Edson Fachin, de mesma idade. Eles ficam à frente da Corte até 2022. Rosa Weber, 71 anos, deixou a presidência, que assumiu em 2018.

As Presenças

Estavam presentes no plenário Barroso, Fachin, Rosa Weber e Luis Felipe Salomão, também ministro da Corte. Além deles, só os funcionários que trabalharam na cerimônia.Os 9 convidados da Mesa de Honra, incluindo Bolsonaro, participaram por meio do software de reuniões virtuais Zoom. A posse nessas condições é inédita na história do TSE.É comum que esse tipo de evento seja disputado por políticos diversos, mas dessa vez a participação foi restrita. Por causa da pandemia, o Tribunal decidiu evitar promover aglomerações.

Os Recados

“Precisamos armar o povo com educação, cultura e ciência”, disse Barroso. Jair Bolsonaro defende que o acesso da população às armas seja facilitado. Na 6ª feira (22.mai.2020), foi divulgado vídeo de reunião ministerial em que esse foi 1 dos temas abordados pelo presidente da República.

Em outro recado claro ao comandante do Planalto, o agora presidente do TSE falou sobre a atuação do STF (Supremo Tribunal Federal), Corte que ele também compõe. O Supremo é alvo constante de manifestações das quais Bolsonaro tem participado.

“Como qualquer instituição em uma democracia, o Supremo está sujeito à crítica pública e deve estar aberto ao sentimento da sociedade. Cabe lembrar, porém, que o ataque destrutivo às instituições a pretexto de salvá-las, depurá-las ou expurgá-las já nos trouxe duas longas ditadura na República. São feridas profundas da nossa história que ninguém há de querer reabrir. Precisamos de denominadores comuns e patrióticos. Pontes, e não muros. Diálogo em vez de confronto”, declarou o ministro.

Há mais 1 ponto de contato entre esse trecho do discurso e a conduta de Bolsonaro: o presidente da República, sempre que pode, defende a ditadura militar que vigorou no Brasil do golpe de 1964 até 1985.

Solidariedade

“Minhas primeiras palavras no cargo são de solidariedade às pessoas que estão sofrendo pela perda de seus entes queridos, de seus empregos, de sua renda ou pelas dificuldades de suas empresas. E também dirijo essas primeiras palavras aos profissionais de saúde de todo o país, especialmente do admirável SUS”, declarou.

Voto distrital misto

Barroso fez uma defesa do voto distrital misto, modalidade de eleição de deputados que foi aprovada pelo Senado. O projeto está na Câmara, com poucas chances de andar durante a pandemia.

O objetivo desse tipo de reforma seria, nas palavras o ministro, “baratear o custo das eleições, aumentar a representatividade parlamentar e facilitar a governabilidade. Tudo e favor da política, da boa política, jamais contra”.

Ele também disse que “numa democracia, política é gênero de 1ª necessidade. Não há alternativa a ela”. Jair Bolsonaro foi eleito com forte discurso antipolítica.

Fake news

O novo presidente do TSE afirmou que a disseminação de notícias falsas e a existência das chamadas “milícias virtuais” preocupam a Justiça Eleitoral. A atuação do Judiciário, porém, seria limitada. “Os principais atores no enfrentamento às fake news hão de ser as mídias sociais, a imprensa profissional e a própria sociedade”, declarou Barroso.

Eleições

Barroso terá de administrar uma situação pouco usual em sua gestão: será o responsável por organizar as eleições municipais no ano da pandemia.

Em Brasília, há dúvidas se o pleito será realizado em 4 de outubro, como estipulado antes do vírus se espalhar pelo mundo. Campanha e votação costumam causar aglomerações, o que favoreceria o contágio pelo vírus.

Para adiar a eleição é necessário que uma PEC (proposta de emenda à Constituição) seja aprovada. Barroso participará das discussões. Outras mudanças no calendário eleitoral, como a data limite para realizar convenções partidárias, também são especuladas na capital.

Diálogo com os Poderes

O novo presidente do TSE disse que tem tido conversas preliminares com os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente. Segundo Barroso, há alinhamento entre os 3:

“As eleições somente deverão ser adiadas se não for possível realizá-las sem risco para a saúde pública. Em caso de adiamento, deverá ser por prazo mínimo e inevitável. Prorrogação de mandato mesmo que por prazo exíguo deve ser evitado até o limite. E o cancelamento das eleições municipais para fazer coincidir com as eleições nacionais em 2022 não é uma hipótese sequer cogitada”, declarou o ministro.

Os objetivos

O novo presidente da Corte disse que o Tribunal terá 3 grandes objetivos:

Voto consciente – “Precisamos despertar em muitas faixas do eleitorado a compreensão de que o voto não é 1 mero dever cívico que se cumpre resignadamente, mas uma oportunidade de mudar o país e mudar o mundo”, declarou o ministro;

Jovens na política – atrair essa fatia da população para essa atividade. Barroso disse que tem alunos que seguram as mais diversas carreiras, mas “conto nos dedos de uma só mão aqueles que foram para a política”;

Empoderamento feminino – afirmou que é necessário atrair as mulheres para a política e “postos-chave da vida nacional”. “Precisamos aumentar a diversidade na vida pública brasileira”, afirmou.

*Com informações do Poder 360

Postado por Painel Político

Na "linha de tiro" de Bolsonaro

Ameaça velada ao decano do STF acontece após magistrado autorizar divulgação de vídeo de reunião ministerial

25.05.2020 às 12:24


Na "linha de tiro"

O presidente Jair Bolsonaro publicou ontem, em suas redes, um trecho da Lei de Abuso de Autoridade aprovada no ano passado pelo Congresso. “Art. 28. Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investiga ou acusado: pena – detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos”, indicou. A ameaça velada veio após o ministro Celso de Mello, decano do Supremo, ter ordenado a divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na sexta-feira.

Estratégia

A ofensiva faz também parte da estratégia do Planalto para lidar com o inquérito. O decano é o relator, no STF, da investigação que apura se o presidente interferiu motivado por preocupações de ordem pessoal na Polícia Federal. A acusação foi feita pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Bolsonaro e seus assessores pretendem ampliar os ataques a Celso para promover a hipótese de que o ministro, ao exagerar em suas decisões, é suspeito para julgar. (Folha)

"Dolo"

Ao menos dentro da Procuradoria-Geral da República, o vídeo está sendo levado a sério. A equipe de investigadores considera que ele deixa claro que Bolsonaro pressionou Moro para fazer mudanças em cargos na PF por questões pessoais. Eles consideram que lá está um tipo de prova raramente conseguida em casos assim, que é o dolo — a vontade de cometer o delito. “Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio oficialmente e não consegui”, afirmou o presidente durante o encontro. Não vou esperar foder minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura.” 

Outra prova

Não é a única prova. Dentre as mensagens enviadas pelo presidente ao ex-ministro da Justiça, uma afirmava que inquéritos na PF do Rio contra aliados de Bolsonaro eram “mais um motivo para a troca”. O fato de que o diretor-geral Maurício Valeixo foi demitido e uma das primeiras ações de seu substituto ter sido a substituição do superintendente no Rio sugere confirmação do objetivo. 

Moro

O ministro Sérgio Moro afirmou, em entrevista ao Fantástico, que o governo abandonou o combate à corrupção. “Desculpe aqui os seguidores do presidente se essa é uma verdade inconveniente, mas a agenda anticorrupção não teve impulso por parte do presidente”, ele afirmou. “O governo se vale da minha imagem, tenho esse passado de combate firme à corrupção, e de fato o governo não está fazendo isso. Não está fortalecendo as instituições para o combate à corrupção.” Para o ministro, desde o momento em que o Coaf foi retirado de sua pasta já havia indícios de que corrupção não era foco principal do Planalto. “Minha lealdade ao presidente demanda que eu me posicione com a verdade, com o que penso”, ele reiterou. “Não há espaço ali para o contraditório. Eu não estava confortável, me sentia incomodado por vários aspectos.”


Com informações da Folha, O Globo e G1

Postado por Painel Político

Tiro no pé

A divulgação do vídeo de reunião ministerial em nada beneficiou Sérgio Moro

23.05.2020 às 10:17


Com os burros n'água

Se tinha algum plano de "ficar bem na fita", após a divulgação do vídeo da reunião ministerial, Sérgio Moro deu com "os burros n'água". É certo que em nenhum momento o ex-ministro afirmou haver prova de algum ilícito na "peça". Torceu para o vídeo ser liberado apenas para comprovar que falava a verdade ao deixar o ministério e em seus depoimentos posteriores.

"Ausência de malícia"

Porém, se pretendia "lucrar politicamente" com a divulgação do vídeo, falto-lhe  "perspicácia"  e malícia que só com o tempo, entrando e "jogando o jogo",  ele talvez consiga adquirir. A divulgação do vídeo em nada beneficiou o ex-ministro.

Promessas de Campanha

Embora boa parte do conteúdo do vídeo não tivesse conexão com o objeto julgado por Celso de Mello, a sua liberação expôs situações constrangedoras ao presidente (como os xingamentos a alguns governadores e prefeitos), mas resultou numa peça de consolidação do cumprimento de algumas promessas de campanha, como o combate a corrupção, o armamento da população e o compromisso de melhorar a situação economica do país e a afirmação categórica de que não está preocupado com reeleição. 

"Modus Operandi"

Foi um espontâneo tributo ao "modus operandis" do bolsonarismo,expondo suas profundas raízes, que nem o mais criativo dos marqueteiros conseguiria produzir. Não é a toa que os bolsonaristas mais otimistas já andam dizendo nas redes que na "Austrália o cara já está reeleito"...

Postado por Painel Político

Bolsonaro e governadores em clima de paz

Jair Bolsonaro procurou enfim parlamentares e governadores pedindo trégua.

22.05.2020 às 11:51


Mudança de tom

No dia em que o Brasil registrou a perda de 1.188 vidas em 24 horas, no qual o total de mortos cruzou a linha dos vinte mil e o número de vítimas dobrou em 12 dias, o presidente Jair Bolsonaro procurou enfim parlamentares e governadores pedindo trégua. “Quero exaltar a forma com que essa reunião está sendo conduzida”, afirmou o governador paulista João Doria, durante a teleconferência.

Apoio aos vetos

Bolsonaro pedia apoio para manter no Congresso os vetos a reajustes dos funcionários públicos. “A cota de sacrifício dos servidores, pela proposta que está aqui, é não ter reajuste até 31 de dezembro do ano que vem”, pediu. “É assim que vamos construir nossa política, nos entendendo cada vez mais.” Em contrapartida, prometeu soltar ajuda financeira a estados e municípios, o que foi cobrado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “A união de todos no enfrentamento à crise vai criar com certeza as condições para que no segundo momento possamos tratar do pós-pandemia da recuperação econômica, da recuperação dos empregos.”

Sob pressão I

Mas a pressão por volta às ruas, ao trabalho cotidiano, se manteve. Após reunião pessoal com o presidente, no Planalto, o prefeito carioca Marcello Crivella saiu falando em reabrir a cidade. O pedido lhe foi feito pelo próprio Bolsonaro. Crivella foi ao encontro precisando de ajuda. Não tem em caixa os R$ 1,1 bilhão necessários para pagar o funcionalismo público municipal este mês.

Sob Pressão II

Bolsonaro está sob pressão de criar notícias boas, e não à toa — o decano do Supremo, ministro Celso de Mello, decide até 17h de hoje se levanta o sigilo na íntegra ou parcialmente do vídeo que registra a reunião ministerial na qual sobraram palavrões, ofensas ao STF e à China, e principalmente ameaça de intervenção na Polícia Federal. Segundo testemunho de quem assistiu, o presidente queria proteger filhos e um amigo.

*Com informações de G1, Extra e Estadão

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Novo depoimento do "número dois" da PF complica situação dos Bolsonaro

20.05.2020 às 11:23

Delegado confirma sondagem de Alexandre Ramagem sobre mudança de cargo

Lembrou...

Carlos Henrique Sousa, número dois da Polícia Federal, procurou os investigadores e prestou o segundo depoimento, ontem. “O depoente gostaria de esclarecer que foi procurado no dia 27 de abril do corrente ano pelo delegado de polícia Alexandre Ramagem, que perguntou para ele, depoente, se aceitaria ser diretor-executivo da Polícia Federal durante sua gestão; que o depoente afirmou que aceitaria”, fez registrar oficialmente. Na semana passada, havia afirmado que não tinha sido procurado por ninguém. Agora, afirma ter lembrado. Ele é uma das testemunhas no inquérito que investiga a denúncia, pelo ex-ministro Sérgio Moro, de que o presidente Jair Bolsonaro tentou intervir na PF do Rio com objetivos pessoais. Sousa era o superintendente no estado, até ser retirado para o novo cargo.

Pois é...

A mudança radical no depoimento contradiz Ramagem, favorito de Bolsonaro para o comando da PF. Se confirmada, indica que ele ocultou dos investigadores que a troca de comando no Rio já estava definida.

Confirmando Marinho

A Polícia Federal também já está investigando que delegado pode ter vazado, para a família Bolsonaro, detalhes do inquérito que tinha entre os alvos o senador Flávio Bolsonaro e seu principal assessor, Fabrício Queiroz. O advogado do filho Zero Um foi pago pelo PSL com dinheiro público — ao todo meio milhão de reais. Victor Granado Alves confirmou que esteve com o empresário Paulo Marinho e Flávio entre o primeiro e o segundo turnos, mas diz que o sigilo profissional em defesa de seu cliente o impede de comentar o que foi falado. É o período no qual, acusa Marinho, Flávio soube da investigação.

Peça-chave

A peça-chave no inquérito é o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, onde o presidente teria ameaçado Moro de demissão caso não permitisse a troca de comando da PF fluminense. O relator do caso, ministro Celso de Mello, já o assistiu. Segundo seus assessores, ficou incrédulo. O decano do Supremo decide até sexta se tornará público na íntegra. 

Toma lá...

Ameaçado politicamente, Bolsonaro se move. Nos cálculos do Planalto, os cargos e controles de verba distribuídos pelo Centrão já lhe garantem 172 votos na Câmara, que é suficiente para impedir a abertura de um processo de impeachment. Por margem justa. Bolsonaro tenta ainda o  apoio dos 34 deputados do MDB. Ao menos por enquanto,  a cúpula do partido resiste.


Com informações do G1, Folha, Correio Braziliense e Estadão

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Denúncia de Paulo Marinho puxa fio de "muitas meadas"

18.05.2020 às 11:29

Se investigada, denúncia do empresário vai "dar trabalho" a PGR e STF

Vai evoluir...

O caso do controverso empresário Paulo Marinho acusando o senador Flavio Bolsonaro vai evoluir se houver provas reais sobre o que está sendo contado.

Por exemplo: há imagens de câmeras na região da Praça Mauá, no Rio, que possam ter captado (e preservado) cenas do final de 2018 do suposto encontro entre 1 delegado da PF e Flavio Bolsonaro?

Paulo Marinho guardou em seu celular mensagens enviadas e recebidas sobre o episódio?

Por fim: vai finalmente aparecer o conteúdo do telefone de Gustavo Bebianno (1964-2019)?

Posicionamento da PGR

O procurador-geral da República, Augusto Aras, agiu de maneira discreta, correta e rápida. O Ministério Público Federal requereu participação no depoimento que será prestado por Marinho. Isso quer dizer que Aras vai acolher as acusações apresentadas pelo empresário fluminense? Tudo dependerá dos fatos narrados e da consistência das provas apresentadas.

Condições incontornáveis

Há, entretanto, que considerar duas condições incontornáveis sobre os 2 principais acusados:

presidente da República – fatos anteriores ao mandato de Jair Bolsonaro não lhe podem ser imputados. Isso está no parágrafo 4º do artigo 86 da Constituição (“O presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções”);

senador – Flavio Bolsonaro pode enfrentar 1 processo a respeito das acusações formuladas por Paulo Marinho, mas isso se dará na 1ª Instância porque quando ocorreu o suposto delito ele ainda não era senador empossado.

Moro

Há também de ser levado em conta o papel de Sergio Moro, que foi ministro da Justiça até abril de 2020.

O ex-juiz federal tuitou a respeito do caso no domingo (17.ami.2020). No Ministério Público Federal surgiu uma dúvida: em algum momento Moro tomou conhecimento de que teria havia alguma traficância para proteger Flavio Bolsonaro? Se soube de tal possível delito durante o período em que esteve no governo e não apresentou denúncia, ele poderá ter cometido crime de prevaricação.

Marinho

E há também Paulo Marinho. O empresário é mais 1 arrependido dos bolsonaristas desde criancinha de 2018. Ao narrar que ajudou o senador eleito Flavio Bolsonaro (de quem é suplente) a se livrar de uma investigação da PF, Marinho praticamente confessa ter sido cúmplice do mesmo crime. É uma encrenca considerável para quem deseja ser candidato a prefeito do Rio.

Fio de muitas meadas

Tudo considerado, esse caso pode puxar o fio de muitas meadas, mas parece haver poucos santos na história. Nesses casos, o que mais se vê no Brasil é a formação de 1 impasse sem que nada vá adiante.

O mais importante, entretanto, será a decisão do ministro Celso de Mello, decano no STF que nesta 2ª feira (18.mai.2020) assiste ao vídeo de 22 de abril de 2020. Trata-se do registro da reunião ministerial na qual Bolsonaro teria, segundo Sergio Moro, informado sobre sua decisão de interferir na Polícia Federal a favor de si próprio e de sua família.

Celso de Mello é 1 magistrado experiente, mas que carrega consigo uma mágoa antiga de militares. Ele atribui à ditadura de 1964 o atraso em sua carreira de procurador, antes de ingressar no STF. As decisões do decano no atual inquérito têm sido carregadas além do que é do seu costume.

Se  após assistir ao vídeo da reunião de 22 de abril, Celso de Mello decidir pela divulgação completa da gravação, o sinal será claro: o inquérito pode se transformar numa espécie de investigação do fim do mundo. A conjuntura se agrava para o Palácio do Planalto.

Mas o decano pode também seguir as recomendações da PGR e da OAB federal. Nesse caso divulgaria apenas os trechos do vídeo referentes à investigação em si (a acusação contra Bolsonaro, de interferir na PF). Aí melhora muito o clima político para o presidente da República.


*Com informações de G1 e Poder 360

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Bolsonaro quer guerra contra governadores

15.05.2020 às 11:32


Fritura

Em uma live com um grupo de empresários ontem , Jair Bolsonaro pediu a empresários que entrem em guerra com os governadores de seus estados . Aumentou o fogo na frigideira do ministro da Saúde, Nelson Teich, dizendo que exigia que o ministério recomendasse ativamente o uso de cloroquina.

Clima de guerra

O pedido de guerra foi contra todos os governadores, mas um em particular foi pinçado. “Um homem está decidindo o futuro de São Paulo”, afirmou o presidente. “Está decidindo o futuro da economia do Brasil. Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado, jogar pesado, porque a questão é séria. É guerra.” Bolsonaro voltou a se queixar das medidas de isolamento social. “Então, pressionem os governadores, pressionem os governos a quem de direito. A Presidência da República está com vocês. O presidente Bolsonaro trabalha para vocês. O governo trabalha para vocês, a Presidência, aqui em Brasília. Pressionem a quem de direito, por favor.” O governador João Doria respondeu. “Lamento que o presidente da República, ao invés de defender vidas de brasileiros, esteja mais interessado em atender a um pequeno grupo de empresários vinculados à Fiesp.” 

Desnorteado

Na mesma live, Bolsonaro acusou Rodrigo Maia de querer “ferrar o governo”. Depois se reuniu com o presidente da Câmara e a ele pediu paz. “Voltamos a namorar”, afirmou Bolsonaro. “É meu papel institucional, principalmente num momento de crise e de perdas de tantas vidas, o mais importante é sempre o diálogo, ver de que forma o governo federal vem atuando, conhecer o gabinete e toda a sua estrutura”, afirmou o deputado. Para políticos ouvidos pelo Painel, é indício de quanto o presidente está desnorteado. 

Mais um militar...

Em Brasília, todas as atenções hoje estarão direcionadas ao ministro Nelson Teich. Ele vem afirmando que não recomendará um remédio contra o consenso da comunidade científica. Pode se demitir. Segundo o Radar (revista Veja), seu número dois, o general Eduardo Pazuello, já foi convidado a assumir o cargo. 

OBS- Pouco tempo depois dessa postagem o Ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão do governo Bolsonaro.


*Com informações do G1, Veja e Folha

Postado por Painel Político

Em depoimentos, generais do Planalto "fecham" com Bolsonaro

13.05.2020 às 10:44


Os 3 ministros generais do Planalto prestaram depoimentos coincidentes a respeito do que se passou na reunião de 22 de abril de 2020 com o presidente da República. Não apontaram desejo de Jair Bolsonaro em influir na Polícia Federal para barrar investigações a respeito de seus familiares.

Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) estão, como se diz, “fechados com Bolsonaro”.

AUGUSTO HELENO

Em depoimento prestado nesta 3ª feira (12.mai.2020) no inquérito que apura suposta tentativa de interferência de Jair Bolsonaro na PF (Polícia Federal), o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) disse que o chefe do Palácio do Planalto teria lhe dito que precisava de alguém “mais ativo” no comando da corporação.

“Mais ativo no sentido de maior produtividade, o que não envolveria maior produção de relatórios de inteligência ainda que isso possa estar incluído no conceito de produtividade”, explicou Heleno.

A gravação em vídeo da reunião tem cerca de duas horas de duração. O material foi mostrado nesta manhã em Brasília para a defesa de Moro, a AGU (Advocacia Geral da União), a PGR (Procuradoria Geral da República) e agentes da PF.

Em relação à indicação de Alexandre Ramagem para a Direção Geral da PF, Heleno afirmou que a atuação “excepcional” dele no comando da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) foi o fator central para a nomeação. O chefe do GSI disse que soube pela imprensa da relação de Ramagem com os filhos do presidente, mas que a proximidade seria “natural” já que Ramagem fez a segurança do presidente à época da campanha eleitoral de 2018.

O general disse no depoimento não ter conhecimento a respeito de troca de comando da superintendência regional no Rio de Janeiro. Declarou que sabia, apenas, que “o presidente cobrava maior desempenho da Polícia Federal do Rio de Janeiro no combate à corrupção, inclusive envolvendo hospitais federais”.

Sobre o encontro ministerial de 22 de abril, Heleno afirmou: “o presidente, na reunião do dia 22 de abril, menciona o exemplo de sua segurança pessoal, que se estivesse falha, tentaria trocá-la; e que se não conseguisse, trocaria o chefe, podendo chegar ao diretor e até o ministro”.

BRAGA NETTO

O ministro Braga Netto (Casa Civil) também prestou esclarecimentos à PF nesta 3ª feira (12.mai). Segundo ele, na reunião de cúpula ministerial Bolsonaro não tratou de troca no comando da Superintendência no Rio.

A fala corrobora o que próprio presidente da República havia dito mais cedo, no Palácio da Alvorada. Bolsonaro argumentou que sua preocupação era com a segurança da família, e não com investigações.

Braga Netto destacou na oitiva que Bolsonaro não estaria insatisfeito com Maurício Valeixo no comando da PF. Afirmou não saber o motivo pela qual o presidente quis Alexandre Ramagem no comando do órgão.

O ministro-chefe da Casa Civil também destacou que Moro afirmou que Bolsonaro continuava com a pretensão de trocar o diretor-geral da PF, ideia que não o agradava. Braga Netto disse, então, que tentou acalmar os ânimos de Moro depois que ele ameaçou pedir demissão do cargo.

O general também disse que Bolsonaro reclamava da falta de explicações sobre o caso do porteiro em seu condomínio no Rio de Janeiro, que havia identificado a sua voz. Na ocasião, o porteiro envolveu o nome do presidente no inquérito que apura a morte da vereadora Marielle Franco (Psol) e do motorista Anderson Cruz. Depois, recuou.

LUIZ EDUARDO RAMOS

O chefe da Secretaria de Governo afirmou que a intenção do presidente Jair Bolsonaro em trocar o comando da Polícia Federal era para ter “sangue novo” na corporação e que ele acreditava que esta troca poderia “mudar o ritmo de trabalho da PF”.

Ramos também declarou que o presidente não teria dito na reunião que trocaria o diretor-geral da Polícia Federal ou o superintendente da PF no Rio para proteger seus familiares.

O general também relatou que tentou mediar uma solução para evitar que Moro pedisse demissão do cargo. De acordo com ele,  o ex-ministro da Justiça teria apresentado o então diretor-executivo da PF, Disney Rosseti, como único nome aceitável por ele em uma troca de comando da PF.


*Com informações do Poder 360

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Teich - Confuso e mal assessorado

11.05.2020 às 11:45


Via Twitter

Apesar de evitar tocar no assunto em entrevistas coletiva ,o ministro da Saúde Nelson Teich foi o primeiro membro do governo a comentar a morte de dez mil pessoas, os contabilizados oficialmente como vítimas da Covid-19 no país. “Hoje amanhecemos com uma enorme dualidade de sentimentos”, ele escreveu no Twitter no domingo dia das Mães. “Quero falar principalmente pra aquelas mães que hoje choram a perda de seus filhos e para os filhos que hoje não podem comemorar o dia com suas mães. Para esses, deixo aqui meus sentimentos e meu compromisso de fazer o meu melhor para que vençamos rápido essa terrível guerra.” 

Hesitação e inexperiência

O ministro, que entrou no lugar de Luiz Henrique Mandetta, vem nomeando militares para os cargos-chaves. Muitos destes têm substituído servidores de carreira da Saúde. Internamente, estas trocas são mal recebidas por funcionários da pasta, que percebem hesitação e atrasos provocados por falta de experiência com os temas. 

No comando

O militar que passou a ocupar o segundo cargo mais importante do ministério, após a nomeação de Teich, é o general Eduardo Pazuello, secretário executivo da pasta. Vem sendo descrito, por "colegas de trabalho"   como "espaçoso e autoritário". E é quem, aparentemente, está no comando. 

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Bolsonaro pressiona STF pelo fim da quarentena

08.05.2020 às 12:19


Marcha midiática

Menos de 24 horas após a divulgação de um novo recorde de mortos num único dia pelo coronavirus no país, Bolsonaro acompanhado de um grupo de empresários, marchou rumo  à Praça dos Três Poderes para pressionar, pessoalmente, o Supremo Tribunal Federal. Os representantes da indústria haviam ido ao Planalto pedir políticas que auxiliem o sustento do setor durante o período da quarentena. Bolsonaro decidiu transformar o encontro num ato político pela volta ao trabalho. “Não estava na nossa agenda inicial, mas o presidente Bolsonaro trouxe a discussão da flexibilização do isolamento no país”, afirmou o presidente-executivo da Associação Brasileira de Indústria de Máquinas e Equipamentos, José Velloso. “Precisamos de uma coordenação, nós precisamos ter um trabalho conjunto para que a volta da atividade seja feita da melhor maneira possível sem risco para as pessoas e preservando o maior número de empregos possível”, completou o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico, José Ricardo Roriz Coelho. Pegando todos de surpresa, o presidente da República então entrou em contato com seu par no Poder Judiciário, Dias Toffoli, e pediu para ser recebido naquele momento. “Temos um problema que vem cada vez mais nos preocupando”, discursou Bolsonaro já no STF. “Os empresários trouxeram essas aflições, a questão do desemprego, a questão da economia não mais funcionar. O efeito colateral do combate ao vírus não pode ser mais danoso que a própria doença.” Sua queixa a Toffoli era de que havia ‘CNPJs na UTI’. O presidente do Supremo recomendou a Bolsonaro que comande o Executivo, organize um comitê de crise e proponha com estados e municípios um plano. O Planalto ainda não tem sugestão de como fazer a abertura que deseja. 

Visita inesperada

No primeiro momento, o meio jurídico reagiu mal ao fato de um desavisado Toffoli ter recebido Bolsonaro. Mas rapidamente,  ficou claro que ele não poderia ter fechado a porta na cara do presidente e a avaliação mudou. Toffoli conseguiu manobrar para driblar a armadilha. A principal queixa dos empresários, por sua vez, era voltada para a falta de ajuda dos bancos, principalmente do BNDES.

Enquanto isso...

A Advocacia Geral da União(AGU) pediu ao ministro Celso de Mello que reconsidere. O Planalto não quer entregar o vídeo que provaria a tentativa, por Bolsonaro, de intervir na Polícia Federal do Rio. Ou, então, gostaria de enviar apenas o trecho no qual presidente e o ex-ministro Sérgio Moro interagem.

Momento "delicado"

Uma fotografia da reunião, tida como delicada, mostra que havia dezenas de pessoas presentes. E os vazamentos já começaram. Bolsonaro, segundo ouviu Bela Megale, estava de ‘péssimo humor’ e afirmou aos ministros que poderia demitir qualquer um — incluindo Moro. O mau humor do presidente, agora, está voltado para o procurador-geral da República, Augusto Aras. Desejava que ele tivesse esperado um pouco mais para abrir uma investigação. 

E a Regina hein????

Pra finalizar o movimentado dia de ontem do governo em Brasília, a atriz e secretária da Cultura, Regina Duarte, protagonizou momentos bizarrosd numa entrevista , no começo da noite, à CNN Brasil. Louvou a ditadura, descartou os mortos e torturados no período e se queixou das perguntas dos jornalistas. Chegou a cantarolar "Pra frente Brasil", música "ligada" aos anos de chumbo da ditadura. “Sempre houve tortura”, afirmou. “Não quero arrastar um cemitério. Por que olhar para trás? Não vive quem fica arrastando cordéis de caixões, acho que tem uma morbidez neste momento. A Covid está trazendo uma morbidez insuportável, não tá legal.”


Com informações de G1, O Globo, Estadão, Poder360 e CNN Brasil

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