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Agora no Painel Covid-19: Brasil registra 941 mortes e 17.857 casos desde início de pandemia

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"Lavando as mãos"

09.04.2020 às 14:11


Mudança no tom

Após uma segunda na qual quase demitiu seu ministro da Saúde e uma terça-feira em silêncio irritado, o presidente Jair Bolsonaro voltou ontem à cadeia nacional de rádio e TV para reafirmar sua repulsa à quarentena. “Respeito a autonomia dos governadores e prefeitos”, ele disse. “Muitas medidas, de forma restritiva ou não, são de responsabilidade exclusiva dos mesmos. O governo federal não foi consultado sobre sua amplitude ou duração.” Apesar de jogar nas costas dos governadores as consequências do período de isolamento social, pela primeira vez Bolsonaro reconheceu que há impacto em vidas causado pela doença. “Sempre afirmei que tínhamos dois problemas a resolver, o vírus e o desemprego, que deveriam ser tratados simultaneamente. As consequências do tratamento não podem ser mais danosas que a própria doença.” O presidente também voltou a defender a aplicação de hidroxicloroquina como cura para a doença. “Há pouco, conversei com o doutor Roberto Kalil”, contou, “cumprimentei-o pela honestidade ao assumir que não só usou a hidroxicloroquina, bem como a ministrou para dezenas de pacientes".  

Sentença

Pouco antes de o presidente entrar na TV, o ministro Alexandre de Moraes, do STF,  definiu que Bolsonaro não pode derrubar decisões dos estados e municípios a respeito do isolamento social, restrições a escolas, comércio ou circulação de pessoas. Segundo o ministro , as recomendações são endossadas pela Organização Mundial da Saúde, além de inúmeros estudos científicos. 

Respeitoso

Em sua tradicional coletiva de final do dia, o ministro Luiz Henrique Mandetta adotou um tom de respeito em relação ao presidente. Bolsonaro foi perguntado sobre o assunto. “Até em casa, a gente tem problema muitas vezes com a esposa, com o esposo, né?”, ele comentou. “É comum acontecer no momento em que todo mundo está estressado de tanto trabalho, eu estou, ele está. Mas foi tudo acertado, sem problema nenhum, segue a vida.” 

Números em alta

O Brasil bateu um novo recorde de mortes decorrentes do novo coronavírus em um único dia. De ontem para hoje, foram 133 óbitos. No total, ao menos 800 pessoas foram vítimas da doença no país. O número de casos confirmados de covid-19 passou de 13.717 para 15.917, conforme os dados oficiais do Ministério da Saúde. Foram 2.200 novos casos notificados nas últimas 24 horas.Foi a segunda vez, desde o início da pandemia, que mais de cem mortes pela covid-19 foram registradas em apenas 24 horas. Os Estados com maior número de casos são São Paulo (6.708), Rio de Janeiro (1.938), Ceará (1.291), Amazonas (804), e Minas Gerais (614). Especialistas projetam que, no Brasil, o pico da doença seja atingido entre o final de abril e o começo de maio.


*Com informações de Poder 360, G1 e O Globo

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Mandetta exonerado...mas nem tanto

07.04.2020 às 13:56


Brasil suspenso

Jair Bolsonaro manteve ontem o país em suspenso ao ponto de a tensão imobilizar por um dia, durante a maior pandemia em um século, o funcionamento do ministério da Saúde.

 Exonerado...

Já no final da manhã, as principais colunas de notas políticas começaram a anunciar a iminente demissão do ministro Luiz Henrique Mandetta. O presidente é contra a política de recolhimento em casa defendida por seu ministro, pela Organização Mundial da Saúde e quase todos os governos do mundo. Bolsonaro também gostaria de ver o ministério promover com mais ênfase terapias com base no remédio hidroxicloroquina. Mas, novamente, os técnicos vêm mantendo a linha de seguir as recomendações da OMS e dos institutos de pesquisa nacionais. Irritado, o presidente se movimentou para colocar na pasta o deputado Osmar Terra, com quem tem o discurso alinhado.

...mas nem tanto

 A tentativa de expurgo de Mandetta mobilizou Brasília. Os presidentes da Câmara e do Senado fizeram o presidente saber que ele tornaria difícil a relação com o Congresso caso a demissão ocorresse. O Conselho Federal de Medicina se pôs contra. E os ministro militares do Planalto, em conjunto, levam ao presidente a notícia de que se opunham à decisão. Foi apenas perto das 20h que o  vice-presidente Hamilton Mourão, deu a notícia de que a crise findara. “Mandetta segue no combate”, afirmou. “Ele fica.” 

Pressionado

Mandetta chegou a ser pressionado, ainda no Planalto, a endossar um decreto para liberar por completo o uso de cloroquina. “Me levaram para uma sala com dois médicos que queriam fazer protocolo de hidroxicloroquina por decreto”, contou em entrevista coletiva. “Eu disse que eles devem, nas sociedades brasileiras de imunologia e anestesia, fazerem o debate entre seus pares. Chegando a um consenso, aqui do Ministério da Saúde a gente entra.” 

Até quando?

A manutenção do ministro no cargo não é certa. Carlos Bolsonaro, o filho Zero Dois, voltou esta semana a bater ponto no Palácio do Planalto. Ele costuma ser o mais influente dentre os defensores do núcleo ideológico, anti-Mandetta.


*Com informações do G1, Estadão e O Globo

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De olho em 2022

Afinados em 2018 e atualmente em lados opostos, Bolsonaro e Doria devem protagonizar futuro embate em 2022

06.04.2020 às 11:47


Em campanha

"Aliados" em 2018, Doria e Bolsonaro já estão em campanha aberta para 2022. Em termos de estratégia até agora 10 x 0 para Doria. O governador de São Paulo começa a ocupar espaços criados pelas desastrosas declarações e atitudes do presidente após o surto de coronavirus no País e já até ensaia uma aproximação com o antigo desafeto ex-presidente Lula.

Influenciado

Bolsonaro, sob forte influência do "gabinete do ódio", não consegue unanimidade nem entre os seus. Não aglutina e destila veneno em todas as suas declarações. Se fosse um pouco mais inteligente não ameaçaria o ministro Mandetta, por exemplo, que está com um elevado índice de aceitação popular.

Guerra aberta

Mas, além de ciumento, Bolsonaro parece estar emburrecendo e não afina seu discurso nem com o vice nem com boa parte de seus ministros, além de alimentar guerra aberta com o Legislativo e Judiciário.

Desespero

Está desesperado com as consequências da pandemia na Economia, que era seu carro-chefe de popularidade para reelegê-lo. Os ideólogos do "Gabinete do Ódio", não enxergam que a crise econômica será mundial,  não ocorrerá apenas no Brasil e que a prioridade agora é derrotar o coronavírus.

Contramão

Bolsonaro insiste no isolamento vertical (que até hoje é uma teoria, não existe nenhum estudo científico sobre esse posicionamento) e destila sempre que pode ódio e ameaças sobre Mandetta, hoje o mais popular dos seus ministros . Está na contramão da sensatez.

2022

Essas atitudes/declarações desastrossas de Bolsonaro,  bem exploradas por um bom marqueteiro de candidato oposicionista, com alguma dose de popularidade ( até agora Dória é o único, mas parece ainda lhe faltar popularidade),  são sementes que podem florescer , e determinar a sua derrota no próximo pleito.

Postado por Painel Político

Sob o "vírus da inveja"

03.04.2020 às 13:45


Colisão

Em entrevista ontem (2) à Rádio Jovem Pan, Bolsonaro demonstrou insatisfação com Mandetta - “Ele já sabe que a gente tá se bicando há algum tempo”, disse o presidente. “O Mandetta quer valer muito a verdade dele, está faltando humildade para conduzir o Brasil nesse momento delicado.” A irritação de Bolsonaro é com o discurso de manutenção da quarentena feita pelo ministro. Quando perguntado porque não impõe seu desejo, o presidente relutou. “Tenho um projeto pronto na minha frente, para ser assinado, considerando atividade essencial toda aquela exercida por homem ou mulher, que seja indispensável para que ele leve o pão para a casa todo dia.” Seria uma volta à rotina normal. Mas afirmou que não assinará ainda. “Um presidente pode muito, mas não pode tudo. Só posso tomar certas decisões com o povo ao meu lado.” 

Acompanhado

Mandetta parece não estar sozinho dentro do governo.. “Ainda estamos naquele momento pré-pico”, afirmou o vice-presidente Hamilton Mourão. “A avaliação é que nós temos que continuar com a política de isolamento, no sentido de atravessarmos esse abril, quando se espera que o pico comece a partir do dia 20, 25.”

"Porta-Voz"

Pelo Instagram,  a mulher do ministro Sérgio Moro defendeu Mandetta em público . “Entre ciência e achismos eu fico com a ciência”, escreveu Rosângela Moro no que pode ser visto como uma forma indireta de apoio dada por Moro a seu colega. “Se você chega doente em um médico, se tem uma doença rara você não quer ouvir um técnico? Henrique Mandetta tem sido o médico de todos nós e minhas saudações são para ele. In Mandetta I trust.” 

Resistindo

 Mandetta está incomodado, mas pessoas próximas ao ministro afirmam que apesar da vontade  de deixar o cargo, ele não vai pedir para sair. 

Auxílio

O governo federal segurou por mais um dia  a publicação, no Diário Oficial da União, da lei que cria a Renda Emergencial Básica — R$ 600 mensais por três meses como auxílio aos trabalhadores informais. Após ter feito o rito da assinatura para sanção, em público, o presidente tomou a decisão de só publicar o texto quando houvesse uma MP indicando a origem dos recursos. O auxílio deve começar a ser pago na semana que vem. 

De olho em 2022

 O governador paulista João Doria, não esconde  que toparia fazer parte de  uma frente ampla contra Bolsonaro na próxima eleição. Mesmo que ela inclua partidos de esquerda.  Ontem (2), Doria trocou afagos com Lula via Twitter. “Temos muitas diferenças”, escreveu, “mas agora não é hora de expor discordâncias. O vírus não escolhe ideologia nem partidos.” O ex-presidente havia elogiado os governadores em tuíte anterior. 


*Com informações do G1, Agência Estado, Jovem Pan, Poder 360, Época e Twitter

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Ataque, recuo e panelaço

01.04.2020 às 13:00


Fora do Contexto

Ontem pela manhã, à porta do Alvorada, o presidente usou uma fala feita à véspera pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, para defender o isolamento vertical. Ghebreyesus alertou para as dificuldades financeiras que os mais pobres enfrentariam por conta da quarentena. Bolsonaro não citou que havia um contexto no alerta: o diretor-geral defendia que governos deveriam adotar políticas públicas para mitigar estas dificuldades. Não defendia o fim do isolamento. A OMS precisou reiterar sua posição nas redes por conta da distorção. 

Irritação Geral

O ataque do presidente, distorcendo a fala do diretor-geral da OMS sobre preocupação social, irritou a muitos no Congresso. Está na mesa de Bolsonaro, para sanção, o auxílio emergencial de R$ 600 que serve justamente para ajudar nisso. E, no entanto, há hesitação em assinar. O Ministério da Cidadania cogita pagar o auxílio a partir de 16 de abril. “Não parece tão emergencial”, se queixou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Governo tem toda estrutura para organizar o pagamento antes. É um valor mínimo, não vai resolver os problemas, mas vai dar previsibilidade para os brasileiros superarem os próximos três meses.” 

Mudando o tom

À noite, Bolsonaro voltou em cadeia nacional de rádio e TV para um novo pronunciamento  sobre a crise do coronavírus. O tom foi outro, recuou do confronto. “Minha preocupação sempre foi salvar vidas”, afirmou. “Tanto as que perderemos pela pandemia como aquelas que serão atingidas pelo desemprego, violência e fome.” Bolsonaro não fez defesa enfática da política de isolamento vertical, — em que apenas os mais vulneráveis à Covid-19 ficam em casa —, na qual vinha insistindo. Mas também não abraçou a horizontal, prática adotada em boa parte do mundo e defendida tanto pela Organização Mundial de Saúde quanto seu próprio Ministério da Saúde. Insistiu, porém, no apelo que, ele acredita, o permite alcançar as camadas mais pobres da população. “Não me valho dessas palavras para negar a importância das medidas de prevenção e controle da pandemia, mas para mostrar que, da mesma forma, precisamos pensar nos mais vulneráveis. Essa tem sido a minha preocupação desde o princípio. O que será do camelô, do ambulante, do vendedor de churrasquinho, da diarista, do ajudante de pedreiro, do caminhoneiro e dos outros autônomos, com quem venho mantendo contato durante toda minha vida pública?” 

Isolado

No pronunciamento anterior, escrito no "gabinete do ódio" e com apoio da ala ideológica do governo, Bolsonaro partia para o confronto com autoridades de saúde e governadores. Teve como consequência seu isolamento político . Não só o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta manteve a recomendação de quarentena como se afastaram dele até auxiliares importantes, casos de Paulo Guedes, da Economia, e Sérgio Moro, da Justiça. Igualmente se afastaram os generais palacianos e o vice-presidente Hamilton Mourão, embora estes criticassem mais o tom do que a intenção de defender a economia perante o isolamento. Foi a partir de uma conversa com o ex-comandante do Exército, o general Eduardo Villas Bôas, que o presidente começou a decidir pela mudança de tom nos discursos. Para esta nova aparição, Bolsonaro ouviu os ministros Walter Braga Netto, da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo — ambos generais —, além de Tarcísio Freitas, da Infraestrutura.

 Panelaços

Enquanto Bolsonaro discursava em rede nacional, pipocavam panelaços pelos quatro cantos do País. O presidente parece  ainda estar calibrando seu discurso à população e, provavelmente, retornará à TV nos próximos dias (certamente ignorando os panelaços).


*Com informações do G1, Folha de São Paulo, Agência Estado e Veja

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O incômodo protagonismo de Mandetta

31.03.2020 às 08:54


Surpresa

A imprensa foi tomada de surpresa, ontem, com mudanças no rito da entrevista coletiva diária do Ministério da Saúde a respeito do curso da pandemia no país. No meio da tarde, foi transferida para o Palácio do Planalto, passou a ser dirigida pelo ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, e a contar com o alto-escalão da Esplanada — Onyx Lorenzoni (Cidadania), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), André Luiz de Almeida Mendonça (Advogado-Geral da União), além de Luiz Henrique Mandetta, da Saúde. Oficialmente, a mudança se deu porque a crise é séria, multidisciplinar, e portanto envolve o trabalho de todos. Mas, nos bastidores, o argumento é outro. “Só tem um governo”.  É uma tentativa de tirar os holofotes de Mandetta. “Não tem ‘governo do Ministério da Saúde’.” Mas a divisão permanece. “Mantenho as recomendações dos estados”, afirmou Mandetta. “A gente deve manter o máximo grau de distanciamento social.”

Demissão

Durante a coletiva, um repórter perguntou a Mandetta sobre sua possível demissão.  Antes do ministro iniciar a resposta, Braga Netto intercedeu. “Não existe essa ideia de demissão do ministro Mandetta”, afirmou. “Isso aí está fora de cogitação.” O responsável pela Saúde então pegou o microfone com sorriso no canto do rosto. “Em política quando a gente fala não existe as pessoas falam, ‘existe’.”

Abrupto final

A última pergunta da coletiva foi sobre o passeio do presidente Jair Bolsonaro pelas cidades-satélites de Brasília. Imediatamente Braga Netto , ao lado de um sorridente Mandetta, interrompeu e a locutora do Palácio anunciou o fim da coletiva.

Incomodadores & Incomodados

Mandetta não é o único ministro  que incomoda Bolsonaro. Sergio Moro, da Justiça,  é outro visto com desconfiança pelo presidente. Em seu twitter, Moro afirmou que “prudência, no momento, é fundamental”. Bolsonaro, ao que parece,  está dividindo os ministros entre quem o defende e quem não o defende. E, ao que parece, não é só Bolsonaro quem está incomodado com Mandetta. O protagonismo do ministro da Saúde e as muitas cobranças feitas à pasta de Economia, já começam a perturbar, Paulo Guedes.

Vigiado nas redes

Ontem, informamos que o twitter havia retirado posts de Bolsonaro do ar. Posteriormente, Facebook e Instagram fizeram o mesmo, alegando que os posts do presidente contrariavam as normas de publicação estabelecidas pelos aplicativos, no caso específico desinformação que possa causar danos à população.

Alternativa ao Impeachment?

Sete partidos de oposição, ingressaram ontem com notícia-crime junto ao STF, contra Bolsonaro. As legendas acusam o presidente de crime comum por ter colocado em risco a saúde da população ao descumprir, em seu passeio de domingo, as orientações das autoridades sanitárias. Seria uma tentativa de buscar caminho alternativo ao impeachment?


Com informações do G1, Folha de São Paulo, Agência Estado e Poder 360

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Na contramão do bom senso

30.03.2020 às 11:16


Saidinha

Em mais uma atitude, já não tão surpreendente, Bolsonaro saiu ontem(29) pela manhã para dar uma circulada num aglomerado mercado da cidade satélite de Ceilândia. Empolgado, prosseguiu seu passeio até Taguatinga e depois Sobradinho. Em todos os lugares que passou enfatizou que “a hidroxicloroquina está dando certo em tudo quanto é lugar”, afirmou. Ainda em testes, e não recomendado para uso generalizado sequer pelo Ministério da Saúde, é uma das drogas exploradas para tratamento do novo coronavírus". Em relação ao isolamento afirmou: “se continuar assim, com a brutal quantidade de desemprego que teremos pela frente, teremos um problema seríssimo que vai levar anos para recuperar.”

Mensagens deletadas

Com ampla repercussão negativa, o Twitter achou por bem apagar os posts da conta do presidente divulgando seu passeio. As redes sociais estão particularmente atentas a mensagens que provoquem desinformação neste período. Mas é a primeira vez que o presidente brasileiro é claramente marcado como um agente de desinformação em sua rede favorita. 

Contramão

A imprensa e a opinião pública, em geral, aguardam um pronunciamento de Luiz Henrique Mandetta sobre a saidinha de Bolsonaro, que vai na contramão da orientação de quarentena apoiada pelo Ministério da Saúde. Aliados do ministro afirmam que ele seguirá a "posição da ciência", mesmo que isso venha a provocar sua exoneração do cargo. 

Único no mundo

Enquanto Bolsonaro passeava pelas cidades satélites,  o presidente americano Donald Trump dava um "cavalo de pau" nas orientações que vinha passando nas últimas semanas. Anunciou que o período de distanciamento social deve se estender no mínimo até o final de abril. Trump foi pressionado pelos especialistas liderados pelo doutor Anthony Fauci, principal epidemiologista dos EUA, que acenou com a possibilidade algo entre 100 e 200 mil mortos mesmo com as políticas de contenção. Com o novo posicionamento de Trump, Bolsonaro perde a maior referência que tinha ao justificar sua postura em relação a pandemia, e passa a ser o único presidente do mundo a questionar a quarentena. 


*Com informações de Poder 360, G1 e CNN

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O "pacote" de Paulo Guedes

27.03.2020 às 11:30


Trabalhando

O ministro Paulo Guedes está trabalhando em um pacote que somará R$ 750 bilhões para enfrentar o impacto econômico do novo coronavírus. Parte deste dinheiro já havia sido anunciado — são medidas como liberação de depósitos compulsórios do Banco Central, reforço no Bolsa Família e antecipação de 13º dos aposentados. Haverá ajuda do governo para que micro e pequenas empresas mantenham seus empregados — em alguns casos, o Estado poderá arcar com até 100% dos salários. Em grande parte, não é dinheiro novo, apenas adiantamentos. 

Na Câmara

Enquanto Guedes estuda o "pacote", a Câmara dos Deputados aprovou ontem, um projeto que destina R$ 600 a toda pessoa que comprovar não ter renda, por pelo menos três meses. Mães que comandam sozinhas famílias podem receber duas cotas, totalizando R$ 1.200. Ainda será preciso passar pelo Senado. 

Público alvo

Nas contas do governo, o benefício atingirá 24 milhões de pessoas. A campanha Renda Básica que Queremos, que conta com o apoio de inúmeras empresas e economistas, avalia que pelo menos 77 milhões de brasileiros precisarão de uma ajuda assim.

Gargalo

Na outra ponta, os bancos estão apertando o torniquete — empresas, de micro a grandes, que os procuram para negociar dívidas, em busca de capital de giro ou empréstimos a longo prazo, estão encarando maior rigidez do que antes da pandemia. Os mais atingidos são bares e restaurantes, os primeiros a sentir o impacto da crise. A promessa da Febraban era outra. 


*Com informações de G1, Poder 360 e Folha de São Paulo

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Bolsonaro amarga repúdio de governadores

26.03.2020 às 12:00


O Confronto

De um lado o Planalto, do outro o comando dos 4 estados do Sudeste. Ao tomar a palavra o governador de São Paulo, João Dória, se queixou do discurso proferido por Bolsonaro na noite anterior(24)-“Inicio na condição de cidadão, de brasileiro, lamentando seu pronunciamento de ontem à noite à nação”, afirmou o governador quando lhe foi passada a palavra. “O senhor, como presidente da República, tinha que dar o exemplo. Tem que ser um mandatário para liderar o país e não para dividir.” Exaltado Bolsonaro respondeu - “Subiu à sua cabeça a possibilidade de ser presidente da República”, afirmou com indignação. “Não tem responsabilidade. Não tem altura para criticar o governo federal, que fez completamente diferente o que outros fizeram no passado. Vossa excelência não é exemplo para ninguém.”

Nível de irritação

Enquanto Bolsonaro, exaltado, respondia ao governador de São Paulo,  Hamilton Mourão, em silêncio , ao lado do presidente, demonstrava um certo constrangimento, o que deve ter aumentado o nível de irritação da família presidencial com o vice. Ontem, em entrevista em Brasília, Hamilton Mourão deu uma resposta, no mínimo desalinhada, com o discurso de Bolsonaro na noite do dia 24 - "A posição do nosso governo, por enquanto, é uma só: o isolamento e o distanciamento social”. Além disso, na semana anterior, já havia chamado o filho Zero Três de Eduardo Bananinha em entrevista sob a suposta crise diplomática com a China, provocada por Eduardo Bolsonaro.

Estratégia de Comunicação

Enquanto isso Luiz Henrique Mandetta, durante a coletiva diária do ministério, passou a defender o isolamento parcial preferido pelo presidente. Um incontestável mudança de postura. Nos bastidores corre a notícia de que o vereador Carlos Bolsonaro teve uma conversa, no domingo, com o ministro da saúde sobre  "estratégia de comunicação".

Sem mentor

Mandetta conseguiu, a princípio, se acomodar no cargo de ministro, mas seu mentor, Ronaldo Caiado, governador de Goias rompeu "em alto e bom tom" com o presidente - “Fui aliado de primeira hora, mas não posso admitir que venha agora um presidente da República lavar as mãos e responsabilizar outras pessoas por um colapso econômico ou pela falência de empregos que amanhã venha a acontecer. Não faz parte da postura de um governante.”

Pre$$ão

Para o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, parte do que move o presidente pelo relaxamento da quarentena vem de investidores. “Nas últimas semanas tivemos muita pressão daqueles que colocaram recursos na Bolsa, esperando 150 mil pontos, 180 mil pontos”, contou em entrevista. “Nós colocarmos as vidas dos brasileiros em risco por uma pressão de parte de brasileiros que investiram na Bolsa e está perdendo dinheiro? Quem foi para o risco, foi para o risco.”

Enquanto isso nos EUA

O Senado americano aprovou, ontem(25), por unanimidade, um pacote de incentivo à economia de US$ 2 trilhões. É o maior da história e representa 10% do PIB dos EUA. Falta a Câmara votar — o presidente Donald Trump já afirmou que vai sancionar.


*Com informações de Poder 360, Época, O Globo, G1 e CNN

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Bolsonaro politiza crise e parte para o ataque em rede nacional

25.03.2020 às 09:39


Atacante

Em discurso em rede nacional de rádio e televisão, nosso presidente partiu para o ataque. “Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o fechamento de comércios e o confinamento em massa”.  Bolsonaro quer diminuir a política de quarentena. “O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Por que fechar escolas? Raros são os casos fatais de pessoas sãs com menos de 40 anos de idade.” Ele também se queixou da imprensa. “Grande parte dos meios de comunicação foram na contramão. Espalharam exatamente a sensação de pavor, tendo como carro-chefe o anúncio do grande número de vítimas na Itália, um país com grande número de idosos e com o clima totalmente diferente do nosso. O cenário perfeito, potencializado pela mídia, para que uma verdadeira histeria se espalhasse pelo nosso país.” Em seu discurso, o presidente ainda reafirmou que está bem. “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado com o vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como disse aquele famoso médico daquela famosa televisão.” 

Reações

No Congresso, a reação foi imediata. Para o presidente do Senado Davi Alcolumbre “Neste momento grave, o país precisa de uma liderança séria, responsável e comprometida com a vida e a saúde da sua população” 

O deputado Rodrigo Maia veio na sequência, via Twitter. “Desde o início desta crise venho pedindo sensatez, equilíbrio e união. O pronunciamento do presidente foi equivocado ao atacar a imprensa, os governadores e especialistas em saúde pública.” 

Para o  ex-presidente Fernando Henrique Cardoso “o presidente repetiu opiniões desastradas sobre a pandemia. Se não calar estará preparando o fim. E é melhor o dele que de todo o povo.” 

Anti-Bolsonaro

Politicamente falando , o governador de São Paulo João Doria percebeu, que momento é propício para se posicionar como o anti-bolsonaro. Ontem, o governador ressaltou a necessidade de transparência e  apresentou em público o resultado de seu exame, negativo para o novo coronavírus. O prefeito paulistano, Bruno Covas, havia feito o mesmo, mais cedo.

Identidades em sigilo

O Hospital das Forças Armadas, em Brasília, apresentou ao governador local uma lista de quem recebeu exame positivo.  Dos 17 nomes, dois foram omitidos para que suas identidades fossem mantidas em sigilo. Bolsonaro e sua esposa fizeram exame no local.


*Com informações de G1, Poder 360, Twitter e Correio Braziliense

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