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12/05/2020 às 06h00

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O Bitcoin em tempos de Covid-19


No dia 3 de janeiro de 2009 nasceu o Bitcoin, com Satoshi Nakamoto, o pseudônimo de seu misterioso criador, minerando o primeiro bloco da criptomoeda, que gerou uma recompensa de 50 Bitcoins. Inscrito neste bloco estava o seguinte texto: ‘The Times 03/Jan/2009 O Chanceler está prestes a iniciar o segundo resgate dos bancos’. Era uma referência a um artigo publicado naquele dia no jornal Inglês The Times, uma pontada de ironia à instabilidade causada pelo sistema bancário. Uma das principais motivações por trás da criação do Bitcoin foi uma resposta ao excesso de dinheiro novo que os bancos centrais do mundo derramaram na economia para tentar salvar o sistema bancário da crise de 2008. Como resposta a isso, o Bitcoin foi criado de forma que sua base monetária não pudesse ser controlada por nenhum governo ou instituição, mas sim um algoritmo. Servidores chamados de mineradores ficam autenticando cada transação da moeda. Para remunerar esse trabalho, a rede, de tempos em tempos, emite um bloco novo como recompensa para um dos mineradores. Quando o total de Bitcoins existentes ultrapassa um certo volume, a quantidade de novas Bitcoins emitidas como recompensa em um bloco cai pela metade. Isso já ocorreu duas vezes desde que a moeda passou a existir. A projeção é que na próxima terça feira o fenômeno ocorrerá pela terceira vez.

O momento não poderia ser mais curioso. Justo quando os bancos centrais de todo o mundo estão novamente praticando afrouxamento monetário, o Bitcoin está prestes a passar por um aperto monetário. Para explicar as implicações dessa mudança a Grayscale Investments, uma gestora especializada em moedas digitais, publicou um longo relatório com sua visão sobre o assunto:

“Enquanto o mundo lida com o Covid-19, é importante para investidores entenderem os efeitos das intervenções fiscais e monetárias dos governos. Especialmente no contexto de moedas digitais como o Bitcoin. Enquanto governos praticam afrouxamento monetário, aumentando a quantidade de dinheiro em circulação, o valor das moedas fiduciárias tende a se depreciar. Na direção oposta, um ativo como o Bitcoin está para experimentar um aperto monetário causado pela redução programada da emissão de novos Bitcoins. Para tentar evitar a queda de preço de ativos e salvar empresas que estão à beira da falência, bancos centrais estão injetando imensos volumes de estímulos monetários e fiscais no sistema. Com a dívida global em torno de US$ 255 trilhões, é pouco provável que essas políticas de acomodação sejam revertidas em algum momento. Como comparação, em um período de 16 meses, entre novembro de 2008 e março de 2010, o FED adicionou US$ 1.5 trilhão de dólares em seu balanço. Em apenas 2 meses este ano, o FED adicionou outros US$ 2 trilhões. Um afrouxamento monetário como este não tem como ser revertido sem causar a deflação que o afrouxamento deveria combater. Apesar de a impressão de dinheiro ter a intenção de recuperar a economia, essa política não tem como se manter de forma perpétua sem repercussões negativas para as moedas. Já vimos diversos exemplos de como esse tipo de processo se desenvolve em hiperinflação, tanto nos EUA, como ocorreu com o Dólar Confederado na época da Guerra Civil, como em exemplos mais recentes como o Peso Argentino, o Bolívar Venezuelano e o Dólar de Zimbabwe.”

“O ambiente macroeconômico atual continua a reforçar que uma moeda digital escassa, não soberana, pode vir a ser uma forma atrativa de se preservar valor e se proteger da impressão ilimitada de dinheiro enquanto bancos centrais do mundo inteiro praticam afrouxamento monetário. O Bitcoin vai passar em breve por um aperto monetário. Após esse evento, a quantidade de novos Bitcoins emitidos vai ser cortada pela metade. Embora os efeitos de curto prazo dessa mudança não estejam claros, ela tem historicamente servido como ponto focal da comunidade de investimento. Mineradores são os vendedores naturais do mercado e após a redução na emissão, eles passarão a ter apenas metade do volume de moeda para vender. Este desequilíbrio entre uma demanda crescente com uma oferta decrescente pode servir como um catalizador positivo para o preço do Bitcoin.”


*Com informações de New Yorker, The Times, Bitcoinblockhalf, Grayscale


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