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16/07/2018 às 15h34

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Bullying na escola. De quem é a responsabilidade?

Bullying na escola. De quem é a responsabilidade?

É comum se ouvir que em algumas escolas, algum aluno já tenha denunciado ser vítima de bullying praticado por um colega. Incomum, é quando essa denúncia versa sobre professor e aluno, sobretudo quando o professor é suspeito de abuso moral, perseguição, intimidação a um ou mais alunos.  Mais grave, quando os estudantes são menores, crianças e adolescentes, amedrontados, acuados diante da hierarquia e da autoridade de quem os ensina, ou quando a escola se torna conivente com essa prática.

A maioria das vítimas desse tipo de abuso emite algum sinal, seja à própria escola ou em casa, à família, mas, infelizmente, é de forma tão silenciosa que não é percebido. Com o tempo, a vítima acaba por se responsabilizar pelas humilhações sofridas e a culpa a que se atribui, é capaz de fazê-la parar com esse grito abafado, chegando a se deprimir, isolando-se de quem possa descobrir o que a aflige, ou lidando com essa dor se pu­nindo fisicamente.

Quais os danos que o abuso moral sofrido na infância e na adolescência po­de causar a um adulto? Há estudos que mostram que o alcance chega à dificuldade em manter um emprego fixo, de­sen­volver relacionamentos sociais e até ser atingido por graves doenças, além de desordens cardiológicas desencadeadas por dependência em cigarro e álcool e pro­blemas de sono. As constatações, dizem especialistas, tornam a vigilância contra o bullying ainda mais necessária.

Mas será admissível que em dias atu­ais, um professor ainda seja capaz de desconhecer o que é assédio moral? Ignorar as sequelas que uma perseguição sistemática a um aluno possa provocar? Como ainda pode existir escolas que tentam esconder o problema, sob a (in)jus­tificativa de que “adolescentes mentem nessa faixa etária”, “que a intenção do professor não é humilhar o aluno quando debocha de uma nota (ruim) dele em sala de aula”, “que o professor errou por excesso de carga horária”, e coisas e tal que desqualificam a denúncia feita a partir da descoberta de que um menor sofre abuso moral na classe.

É preciso que pais e responsáveis se mantenham atentos, conversem com seus filhos sobre como se comportam seus professores, com eles e com seus colegas, é preciso que as escolas to­mem para si a vigilância rigorosa sobre o que fazem seus professores em sala de aula, que tenham mais atenção às queixas de alunos e pais nessa questão, que debatam o assunto coletivamente, que levem o tema para reuniões de pais de alunos, que não permitam que crianças e ado­lescentes sejam vítimas do despreparo emocional de alguns adultos de currícu­los profissionais considerados excelentes.

É preciso mais para estar em sala de aula e ensinar, é preciso entender o que acontece além classe com seus alunos, é entender que além de passar a limpo uma disciplina, se faz necessário que se tenha sustentação moral para educar.

Bullying não pode ser tratado como uma questão corporativista, em nenhum caso, muito menos como uma bobagem que se resolve com se fosse tão somente um mal-entendido. Na educação básica e fundamental, pode ser, até, mais do que uma infração penal, pode ser crime contra a criança e o adolescente, pode ser o desencadeamento de problemas psicológicos no presente e no futuro para quem sofre assédio moral.


*Editorial da edição 18 da revista Painel Alagoas


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