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08/10/2020 às 19h41

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Orgulho Nordestínico

Arretado, este 8 de outubro é celebrado como o Dia do Nordestino, cujo principal objetivo é reforçar nosso orgulho por sermos nativos desta região abençoada pela Existência. Motivos não nos faltam.

Engraçado, em 11 de março próximo, completo meu 59* ano de vida, e consequentemente no dia seguinte, inicio novo ciclo, o 60*. E percebo que, acumulando vivências, todos os fatos me ativam a memória, me lembrando de outras histórias, outros momentos.                                   

 Este “Dia” me remeteu aos anos 80, quando transferi o curso de Jornalismo da Ufal para a Faculdade da Cidade, no Rio de Janeiro. 1 das + nítidas diferenças entre nordestinos e cariocas é o sotaque, e confesso que me sentia deslocado nas aulas, tanto que sempre apresentava sozinho meus trabalhos. Haviam grupos entre os alunos, e eu, único “retirante”, não me sentia integrante de nenhuma das turminhas. E lembro bem de quando precisei ficar em pé, pela 1a vez, e falar sobre minha pesquisa, e da raiva que senti quando 1 aluno levantou 1 braço e eu me calei, achando que ouviria alguma observação sobre meu trabalho. “Você já está no final do 1* semestre estudando aqui e ainda não aprendeu a falar?”, foi a interferência do carioca “da gema”.                                           

 Respondi que nossas diferenças iam muito além do sotaque, já que, nós nordestinos, jamais desrespeitaríamos as regionalidades, as características culturais de ninguém. Lembro que os que riram com o “preconceito e racismo” do colega, me aplaudiram. E segui orgulhoso, inclusive de minha origem. E do meu sotaque.                                                         

E depois destes anos todos, os brasileiros “sulistas” seguem nos atacando, desvalorizando nossa existência, depreciando nossa cultura, nossa história. Triste constatar este absurdo comportamento, que caracteriza ignorância, inclusive e principalmente.

Comprovadamente, somos ricos em vários sentidos, como registra e comprova a história. Talentos não nos faltam, pelo contrário. Somos berço de inúmeras e diversificadas aptidões. Seja na literatura, nas ciências, nas artes, nas gastronomia, nas belezas naturais... somos o máximo, sem modéstia alguma. Acho que nem preciso citar nomes, já que faltaria espaço para escrever tantos.

 E aqui, numa rede no terraço de casa, pensando nisso tudo, acabei transformando memória em palavras, e assim surgiu esta postagem.                           

E para ilustrar? Pesquisei mapas do Brasil, destacando a região Nordeste, nossas praias, nossas comidas... mas quando olhei pra minha outra rede, pensei que elas bem podem ilustrar este Dia do Nordestino.Afinal, elas são a “nossa cara”, tanto quanto nosso sotaque e expressões linguísticas.                                                       

Assim, celebro este “nordestínico” dia para reafirmar meu #orgulhonordestino e de minha tristeza quando vejo colegas apresentando programas e telejornais “carregando” no sotaque “carioquês”, perdendo completamente sua principal característica, a fala original. Até podem colocar X onde teria S, mas a entonação, a respiração, impossível transformar.                  

Mas enfim, não sou ninguém para julgar ninguém. Eu? Sigo entre ôxe, oxente, eita, aiégua, arretado, aperreado, pipôco,  pocô...


Felipe Camelo por Felipe Camelo

 Jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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