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30/06/2020 às 19h26

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Desumana Ganância

Felipe Camelo

Neste pandêmico isolamento, muito tempo pra pensar na vida, e como já estou perto de inaugurar meu 60* ano, o que não me falta é história, incluindo detalhes de momentos que interagem com fatos recentes, através do túnel e do cronômetro. E muita coisa se explica, se reforça, como atitudes, conceitos e comportamentos ensinados na vida, e em casa, inclusive com exemplos.

Quando completei 18 anos, fui contratado para trabalhar numa secretaria da Prefeitura de Maceió, mas alguns meses depois, fui morar em São Paulo, e meu pai levou 1 procuração minha para rescindir meu contrato, confirmando que eu não poderia morar fora, recebendo salário sem trabalhar. Entre as lições de meu pai Rubens, está também me norteia até hoje.

Estava pensando que a ganância tem sido o sentimento + praticado. Poder e dinheiro transformam e desumanizam. Principalmente se foi dinheiro fácil de ganhar, mesmo não sendo fruto de trabalho real. Confesso que fico horrorizado com a quantidade de pessoas  que se aproveitam deste momento de tristes sofrimentos e mortes, para superfaturar e roubar dinheiro público que serviria para comprar respiradores e outros equipamentos hospitalares que salvariam milhares de vidas.

Com a bandidagem “coletiva”, e a certeza de impunidade, os golpes roubam trilhões que deveriam ser investidos na qualidade de vida da população, tão carente de tudo. Na verdade em todas as esferas políticas, jurídicas, policiais... muitas quadrilhas, e roubam muito, descontroladamente, as somas são astronômicas.

O que me deixa + incrédulo é a falta de empatia, humanidade e solidariedade destas pessoas que não se preocupam com ninguém. Gente morrendo de fome, doentes nas filas de hospitais e ambulatórios, enquanto este dinheiro todo indo parar em bolsos e bolsas de grifes de luxo.

Não bastasse, esta ganância promove 1 outro golpe. Com a Internet, e a ostentação destes bandidos, fica muito fácil descobrir as trambicagens. E não foram poucos os casos de gente que recebeu indevidamente o auxílio emergencial destinado aos que realmente precisam desta mísera ajuda.

De acelerar meu fluxo sanguíneo saber que fazendeiros, empresários, funcionários públicos, políticos, militares, presidiários, até deslumbradas “alpinistas sociais”, estão recebendo os R$600 e agravando ainda + o absurdo, postam descaradamente as provas da bandidagem, fazendo piadas, zoando da cara de todo mundo.

Como se fossem “superiores” e pudessem fazer qualquer coisa, sem precisar prestar contas, ou merecer punições. Desviar grana pública deve ser crime hediondo e inafiançável. O povo pagando imposto de tudo, sem ter o retorno que deveria receber, como saúde, educação, segurança, infraestrutura, saneamento... qualidade de vida. Se meu pai estivesse vivo, estaria horrorizado com tudo isso.

Lembrei que ele foi diretor geral do Detran durante muitos governos, e lembro que ele economizava tanto o dinheiro do departamento que os governadores comentavam que ele era o único na devolução do que não foi gasto. Lembrei também de seu pai, meu avô, José Farias de Almeida, que foi caixa do Banco do Brasil até se aposentar. Nunca teve outro trabalho nem quis outra função, tinha prazer no que fazia. E há alguns anos, encontrei 1 placa de prata, onde o banco o homenageava. Em toda sua vida profissional, nunca houve “diferença de caixa”, nunca houve nenhum erro em suas contas.

É como sempre digo, poucos os que se preocupam em escrever impecáveis histórias de vida, eternizando correção como pessoa, deixando os melhores exemplos. Eu, tenho todos os motivos pra agradecer. Mas confesso dificuldade em viver neste mundo de egoísmo, ignorância, ganância. Me esforço pra manter fé. Cansei. Quero fazer parte da maioria, da parte correta da vida. E você???


Fonte: Felipe Camelo


Felipe Camelo por Felipe Camelo

Felipe Camelo é jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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