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16/06/2020 às 15h04

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Ignorância mata

Felipe Camelo

Começo me desculpando pela involuntária ausência ontem, aqui no blog, mas acordei tão cansado, com  incomodo mal-estar, sensação de dor de cabeça, impressão de ressaca alcoólica (sem ter bebido), fadiga profunda... passei o dia assim.

Deitei cedo, e hoje acordei me sentindo melhor. Não estou “zerado”, mas estou melhor que ontem, ou pelo menos, menos mal. Venho me ocupando, lendo, fotografando aqui entre muros, escrevendo, cuidando da casa, do jardim, da “pet-filha” Toda, de mim... e tenho me sentido bem cansado, exausto. Tenho certeza que não é físico, o corporal é consequência do mental. Por + que evite ficar acompanhando as péssimas notícias, me manter informado é imprescindível, e mesmo filtrando, esta impensável realidade tem me feito suspirar com muita frequência. Em alguns momentos, o suspiro se faz raso, curto, como se estivesse faltando força. Não, não é sintoma deste fatal Coronavírus. 

A cada falecimento de amigos, conhecidos, ou mesmo alguém que não seja do meu convívio, tristeza, principalmente pelas famílias, impossibilitadas de velar, se despedir e sepultar seus entes.

Confirmo total gratidão e solidariedade aos profissionais que estão se arriscando e perdendo suas vidas no combate ao Covid19, cujas mortes contabilizam 30% do total dos que não sobreviveram. Mas estes, não se infectaram quebrando o isolamento social e saindo pra fazer compras. Muitas vezes, se contaminam por falta de equipamentos de proteção individual, ou mesmo por algum descuido, pelo absurdo excesso na estressante jornada de trabalho.

Enquanto isso, com o relaxamento do confinamento em muitas cidades, o que se vê é irracional. Muita gente se aglomerando no comércio de rua ou mesmo em shoppings. Não é preciso ser estudioso e especialista pra saber que esta insanidade coletiva era esperada. Há pessoas descrentes da gravidade da pandemia, apesar da ampla veiculação na Imprensa,  e pra piorar, a irresponsável tentativa do governo federal de “maquiar” os assombrosos números de infectados e mortos, é impossível dizer “Eita, eu nem sabiiia”. Sabia sim, já que em todos os meios de Comunicação, esta é praticamente a única pauta. Em todas as mídias.

E pra piorar ainda +, com a pressão dos empresários capitalistas, ávidos pra recuperar em pouco tempo o que deixou de ganhar enquanto o isolamento era obrigatório, comércio abrindo, e o que se vê é gente sem máscara, sem respeitar a distância mínima entre as pessoas... e com as maiores autoridades do país minimizando o problema e desrespeitando as normas do bom senso, provocando aglomeração, e contacto muito próximo com a população, caos.

E, comprovadamente, em todas as cidades que já liberaram o confinamento, tem até boate funcionando com centenas de pessoas dançando aglomeradas, “como se não houvesse amanhã”. Também é comprovado que o convívio nas academias de ginástica é tão perigoso quanto a transmissão em hospitais. Não sou eu quem “diz”. Médicos e especialistas confirmam e provam, por +  que se diga “nós estamos controlando a higienização do ambiente e dos equipamentos”. É muito arriscado.

Na grande maioria destas cidades, os casos de contaminação tem, literalmente, explodido. Anotem, egoísmo, ganância e ignorância são tão perigosos e fatais quanto o vírus. Ou até +!!!

E o que + me doe é que este comportamento humano (sic!) destrói todo trabalho que médicos, enfermeiros, maqueiros, motoristas de ambulância, coveiros... vem realizando bravamente, pra garantir saúde e vida.

Assim, pra mim, é impossível responder que está tudo bem quando alguém me pergunta como estou, seja por telefone ou mensagens nas redes sociais. Não posso estar bem sabendo que muitos morrem pela doença, e muitos outros, por irresponsabilidade ou imbecilidade ideológica.

Da última vez que fui ao supermercado comprar comidas, parei num semáforo, e no carro que parou ao lado, a motorista sem máscara. Abri meu vidro e aconselhei que ela colocasse a máscara. Ouvi “o carro é meu e faço o que quiser”. Fechei o vidro e fui, horrorizado. Voltando pra casa, vi estes 3 seres irracionais, passeando por Guaxuma. Parei o carro, e fui fazendo com que voltassem pra ‘casa’, pelo mesmo lugar por onde saíram. Tudo bem, eles são irracionais, mas pessoas, dotadas de raciocínio e inteligência??? Imperdoável. E criminoso!!!


Fonte: Felipe Camelo


Felipe Camelo por Felipe Camelo

Felipe Camelo é jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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