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25/03/2020 às 17h20

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Memória de Amor

Acervo Pessoal

Vou contar 1 incrível História de Amor.

Minha família materna foi 1 das fundadoras de Porto de Pedras, com vastos sítios de coco, principalmente na praia do Patacho. Mas meu avô Luis foi estudar Farmácia na Bahia, e quando voltou, se elegeu deputado estadual, conheceu minha avó Asty, casaram e em Maceió, ficaram.

Uns anos depois, com 1 filho pequeno, meu saudoso tio Hélio, e ela grávida, estavam lá, de férias, quando o bebê resolveu nascer, era minha mãe Hilza, que chegou ao mundo no casarão que meu bisavô construiu em 1919, e que temos até hoje.

Enquanto isso, a família de meu pai, tinha raízes em Atalaia e no Pilar, onde nossa família fez da Cavalhada + que folclore, mas Cultura. Outro dia, encontrei recorte de jornal com matéria sobre Major Camelo, que comandava grupo de cavaleiros vestidos de vermelho e azul e ele, de linho branco. Nos cavalos, arreios de prata. Mas minha avó Afra conheceu meu avô José e em Maceió se instalaram. Minha avó engravidou 2 vezes, é tristemente, perdeu os bebês, o que a fortaleceu pra ter o 3* filho, e nasceu meu pai, filho único, Rubens, que cresceu saudável.

Se conheceram na Faculdade de Direito, onde papai era muito popular, pelos estudos, e principalmente, por seu espírito festeiro e carnavalesco. Namoraram e noivaram por 8 longos anos, e nada dele marcar o casamento. Nos bailes, eram, comprovadamente, exímios na pista, casais se afastavam pra vê-los dançar. E numa destas festas, no Jaraguá Tênis Clube, ela passou a noite toda dançando com o melhor amigo dele. Na manhã seguinte, logo cedinho, lá estava ele pra marcar a data, 25 de março.

Mas infelizmente, em dezembro, meu avô Luiz, indo pr’o Natal com a família em Porto de Pedras, faleceu quando a ônibus que ele estava caiu da balsa de acesso, e ninguém sobreviveu.

Por causa desta tragédia, remarcaram o casamento, pr’as 7 da manhã, evitando festa e muita gente, já que estavam todos muito arrasados com o acidente.

Como já ‘disse’, papai, e sua turma eram, comprovadamente, grandes foliões, fosse nos clubes ou nos corços na rua, cujos temas das fantasias e dos carros alegóricos eram críticas sociais ou algum tema do momento. Claro que frequentavam, com assiduidade, as boates do Mossoró, de quem ficaram amigos.

Então, na Catedral, as 2 famílias, e poucos amigos, que, em seguida, teriam café da manhã na casa de meus avós paternos. Mas voltando ao casório, terminada a cerimônia, na porta da igreja, surpresa geral, na praça Pedro II, verdadeiro corço armado pelos amigos, que levaram todas as meninas do Mossoró, com cartazes. Entre eles, “Raul Cunha saúda nobre sócio da buate Mossoró”, “Ai que saudade, ai que dó do Camelô cachaceiro que caiu no nó”, “Por motivo de herança, mudança de esta civil, Rubinho se despede das niquimbas”, “Quando é que vai começar a briga do Zeca (meu tio Zeca Normande, casado com minha tia Cidinha, irmã de mamãe) com o Rubinho pela herança dos cocos?”, “As meninas da Quitéria saúdam o Rubinho”, “Depois que viu a renda dos cocos...”, “Após 8 anos Kangurú foi vencido pelo cansaço”...

Minha mãe dizia que nesta hora, queria sumir dali, levando papai pela orelha, se fosse preciso. Mas, tadinha, não conseguiu. Saíram em carro conversível pelas ruas do Comércio até a Pedro Monteiro. O café da manhã virou farra, e, pelas fotos, mamãe preferia a calmaria. Mas, no fim, curtiu.

Foram morar na desabitada Pajuçara, logo no comecinho. E sabem o que aconteceu? Em 11 de março, 2 semanas antes do 1* aniversário de casamento, nasci. Em 3 de fevereiro, antes do meu 1* aniversário, adivinhem, nasceu Lavínia. Foi quando papai relaxou 1 pouco, e a família só ficou completa em julho seguinte, quando chegou Fabinho.

Foi quando 1 engenheiro americano vendeu a sua casa recém construída, porque ia voltar pr’os Estados Unidos. Nos mudamos e crescemos bem felizes, principalmente porque a casa era bem em frente onde hoje fica o Lopana, e a areia da praia vinha até nosso muro. A Pajuçara era praticamente nossa. Papai vinha de carro por entre os coqueiros, não tinha estrada.

Isso, em 1963. Hoje, 25 de março de 2020, papai falecido há 8 anos, alguns dias depois do dia 25. Mesmo em coma, pareceu que esperou pra fechar + 1 Boda, e alguns dias depois de sua partida, mamãe foi diagnosticada portadora do Mal de Alzheimer.

Confesso que este maldito Coronavírus já me infectou, mas de raiva, já que médicos nos proibiram de vê-la, aos 93 anos, sequer entrar no apartamento, devemos.  Coração acelerado e apertado aqui, com todas estas lembranças. Mas, como o mundo é redondo, dá voltas, assim como a vida, e creio que nada acontece por acaso. Tudo tem 1 “porque”, e este, literalmente, “pandemoníaco” momento, passará.

Eu, sigo aqui isoladérrimo, me ocupando e mantendo a esperança e a fé.

E hoje, celebrando as Bodas de Diamante que meus pais Hilza & Rubens fariam,  certamente ainda + apaixonados, e edito esta postagem, lembrando que não foram poucas as vezes que os flagrei dançando na sala, ou abraçados na varando, namorando. Viva o Amor!!! E  #fiqueemcasa


Fonte: Felipe Camelo


Felipe Camelo por Felipe Camelo

Felipe Camelo é jornalista formado no Rio de Janeiro. Em Alagoas, passou pelas principais redações de jornais e portais .Tem em sua história profissional a cobertura de vários eventos importantes festivos e culturais em Maceió e outras cidades. É um apaixonado por fotografia. Para Felipe, “fotografar significa congelar o tempo”.

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