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Pela teimosia de um ousado paraibano, a televisão chega ao Brasil

19.06.2016 às 21:18
Chateaubriand discursando durante a solenidade de inauguração da PRF-3-TV Tupy-Difusora - canal 3 de São Paulo

Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o “Chatô”, resolveu trazer a televisão para o Brasil, porque foi desafiado e afrontado


A Televisão no Brasil nasceu da idéia de um homem que não teve medo de ousar; seu nome era Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, o “Chatô”, advogado, jornalista, nascido no interior da Paraíba e criado em Pernambuco. Era presidente da maior cadeia de jornais e rádios do hemisfério Sul.  Foi um dos maiores empresários de comunicação do país . Seu império chegou a compreender quase 100 empresas, sendo 33 jornais, 25 emissoras de rádio, 22 emissoras de televisão, uma editora, 28 revistas, duas agências de notícias, três empresas de serviços, uma de representação, uma agência de publicidade, duas fazendas, três gráficas e duas gravadoras.

Em depoimento, Rubens Furtado (ex-diretor da Rede Tupi) conta-nos que Chatô  resolveu fazer TV, porque foi desafiado e afrontado.

A General Eletric e a RCA foram as primeiras empresas americanas a construir transmissores e aparelhagens de televisão. Como ele tinha comprado transmissores para suas rádios, conhecia muito o general Sarnoff presidente da RCA.

Um belo dia ao visitar o general, ele deparou com um transmissor de televisão e perguntou:

- “Como é que se faz isso? - Dito. 

- Quero comprar um negócio desse e montar uma televisão no Brasil!”.

O general Sarnoff achou aquilo um absurdo e disse para Chateaubriand:

- "Televisão é um negócio só para países desenvolvidos e para empresas que tenham capacidade econômica. Como sua empresa não tem porte para isso e o Brasil é um país subdesenvolvido não há condições de ter televisão nas próximas décadas".

Isso irritou profundamente Chateaubriand, que imediatamente comprou dois transmissores para montar duas estações de TV no Brasil.

Sarnoff, que conhecia bem as maluquices de Chatô, disse:

- “Aqui nos Estados unidos, o número de receptores ainda é muito pequeno e a rentabilidade da televisão muito baixa. No Brasil não existe nem fábrica de televisores, como você vai montar transmissores de um negócio que nem receptores tem?”.

Chatô fez-se de surdo trouxe o primeiro transmissor de seis quilowatts para São Paulo e outro para o Rio de Janeiro montando duas estações de TV. A novidade chega ao Brasil no anonimato, pois as agências de propaganda não conheciam o negócio e também não haviam televisores aqui. A apenas um mês da inauguração da TV, Chatô é alertado por Walter Obermüller, diretor da NBC-TV, e se dá conta que vai fazer TV para ninguém assistir, pois não havia receptores no país. Com seu jeitinho brasileiro, Chateaubriand decidiu importar 200 televisores dos Estados Unidos, mas, ao descobrir que a alfândega atrasaria seus planos em 30 dias, não teve dúvidas:

“Então traga de contrabando. Eu me responsabilizo.

O primeiro receptor que desembarcar eu mando entregar no Palácio do Catete, como presente meu para o presidente Dutra.”

Ele importou também trezentos aparelhos televisores dos EUA, que foram colocadas a venda pelas lojas Cássio Muniz.

Para financiar seu empreendimento, Chateaubriant conseguira em 1947, contratos com a Seguradora Sul América, a Antártica, a laminação dos Pignatari e o Moinho Santista.

Essas empresas pagaram adiantado um ano de publicidade a cadeia dos associados, fornecendo parte dos 16 milhões de cruzeiros pagos a RCA Victor norte americana pela compra de uma estação de TV.

No dia 18 de Setembro de 1950, é inaugurada a 1ª TV Brasileira, e segunda da América, a primeira da  América Latina e também do Hemisfério Sul, a quarta do Mundo (depois de EUA, Inglaterra e França), a PRF-3-TV Tupy-Difusora - canal 3.

Postado por Era uma vez ... na TV

"Tele Catch" - No ringue/picadeiro, memoráveis "performances circenses"

14.06.2016 às 05:21

Criado na extinta TV Excelsior Canal 2 do Rio de Janeiro, o "Tele Catch" era dedicado a exibição de combates de luta-livre que tinham como ponto forte performances de encenação teatral

Com a extinção do Palácio de Alumínio (uma cúpula de alumínio dedicada à exibição de combates corpo a corpo), um dos protagonistas da rede de lojas Imperatriz das Sedas (cuja sede era vizinha ao palácio montado no terreno do extinto tesouro nacional - doado aos comerciários) e um dos sócios da empresa, "Sr Rafick", resolveu promover um programa de lutas livres (via televisão) e cuja modalidade era o Tele-catch. Durante os anos 60 alcançou o auge do sucesso, criando vários heróis, como Ted Boy Marino, Tigre Paraguaio, Verdugo( que lutava fantasiado e usava máscara) Rasputin ( o barba vermelha) e outros.

Inicialmente chamado Telecatch Vulcan devido a uma ligação com a casa da borracha dos Cassini (Esportes Náuticos) e Imperatriz das Sedas (dos sócios César Murane e Rafick), a TV Excelsior televisou dos anos de 1965 a 1966.

Antes do embate começar, os lutadores (alguns fantasiados) eram pomposamente chamados ao ringue pelo mestre de cerimônia. Passavam por um corredor no meio do público. Enquanto o "bonzinho" era aplaudido e recebia carinhos, o vilão recebia sonora vaia e levava, de quebra, alguns sopapos dos mais entusiasmados.

Os telespectadores mais ingênuos, que formavam uma enorme legião, acreditavam piamente que as lutas eram pra valer! Enquanto os outros se divertiam e torciam normalmente, esses ficavam genuinamente revoltados com as "maldades" (golpes baixos) que os feiosos "maus" faziam contra os "bonzinhos" (geralmente simpáticos e bem-apessoados). E o pior: o juiz, "vendido" fingia nada ver. Mas era só uma questão de tempo. Decorridos alguns minutos de "massacre", chegava a hora do êxtase quando o herói (todo "arrebentado") reagia e dava uma "surra" memorável no lutador "sujo". Era o máximo (acreditasse ou não)! Uma alegria total! O Bem vencia (quase) sempre o Mal!

Em 1967 o "Tele Catch Montilla"(mudou de nome em função de mudança do patrocinador) passou a ser exibido pela TV Globo Canal 4 do Rio de Janeiro.


*Na foto(de 1966) o "malvado" Rasputin castiga e puxa pelos cabelos o "herói" Ted Boy Marino

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Os bastidores da primeira telenovela diária da televisão brasileira

09.06.2016 às 21:13

 Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio, estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP),”2-5499 Ocupado”

“Perdoe-me, foi engano!”
Larry desliga o telefone mas apaixona-se pela voz que acabara de ouvir do outro lado da linha.Sem saber que a ligação caiu,por engano,num presídio feminino e que a voz que tanto o atraiu era de uma telefonista presidiária, Larry(Tarcísio Meira)toma coragem e volta a ligar para o mesmo número a fim de ouvir novamente a voz de Gloria(Gloria Menezes)que,também envolvida, faz de tudo para esconder a sua condição.
 
Adaptada de um folhetim argentino por Dulce Santucci e dirigida por Tito de Miglio estreava em julho de 1963, na TV Excelsior Canal 9(SP) ,no horário das 19 horas ,2-5499 Ocupado,a primeira telenovela diária da televisão brasileira.Criava-se nesse instante o que viria a ser o maior "fenômeno de massa " do Brasil.
 
Apesar de sua curta permanência no ar(pouco mais de dois meses)o folhetim agradou tanto o patrocinador(Colgate-Palmolive)que a direção da Excelsior resolveu importar novos textos da Argentina.
 
A trama(comparada as atuais)era simples:elenco pequeno, curta duração(media de 50 a 60 capítulos),sempre focada em crises amorosas de um casal central e sem enredos paralelos.Entretanto isso era uma novidade em termos de veiculação.Até então os dramalhões importados eram exibidos apenas de duas a três vezes por semana.
 
O recém criado vídeo tape também contribuiria, de forma fundamental, para uma melhor qualidade e acabamento nas produções, intensificando inclusive a captação de imagens externas o que antes quase não acontecia.
 
Com significativos avanços tecnológicos e sensibilidade dos diretores de TV a telenovela diária mudaria radicalmente os hábitos dos nossos telespectadores que passaram a ficar presos na frente da telinha todas as noites em determinado horário.
 
Em pouco tempo a telenovela diária modificaria definitivamente a grade das principais emissoras da época.A TV Tupi(SP)já lançaria no início de 1964 Alma Cigana, no horário das 20 horas e, curiosamente,emissoras com menos recursos técnicos também se lançaram na produção de folhetins diários ao vivo, pois ainda não tinham equipamento de vídeo tape suficiente para tal empreitada,como a TV Paulista Canal 5(adquirida posteriormente pela Rede Globo) e a TV Cultura Canal 2(nessa época um segundo canal paulista dos Diários Associados).
 
Isso foi só o inicio da metamorfose nos hábitos da população.Anos depois a produção de nossas novelas deixaria de sofrer influência dos dramalhões importados(principalmente os argentinos e cubanos) e se transformaria num produto “made in Brazil” sendo exportado para os quatro cantos do Planeta,mas isso é uma outra história e fica para ser contada numa próxima oportunidade.


RL(Atualizado e republicado)

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Era uma vez ... na TV por Redação

Histórias e curiosidades sobre o passado da TV brasileira

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