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13/08/2018 às 11h00

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O voto, livre e soberano?

Ilustração

 “O Brasil está sonhando com uma ressurreição moral que sabe que não virá. O que faz o padrão moral da política é a regra do jogo, e não a iluminação pelos céus de um mítico “candidato honesto”.


Um levantamento recente feito pelo jornal Estado de São Paulo com base em relatórios da Polícia Federal (PF), obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostrou que alguns Estados das Regiões Norte e Nordeste lideram, proporcionalmente, o ranking de crimes eleitorais cometidos entre 2006 e 2016, década que compreende as seis últimas eleições realizadas no País. 

Roraima (12,9), Acre (10,4), Rio Grande do Norte (8,2), Paraíba (7,3), Tocantins (6,6) e Amapá (6,4) foram os Estados que apresentaram o maior número de inquéritos policiais que apuram crimes eleitorais por grupo de 100 mil eleitores. Os dados dos inquéritos informados pela Divisão de Assuntos Sociais e Políticos da PF foram comparados com a quantidade de eleitores registrados em cada um dos Estados. 

E aí se obtém um quadro miserável do voto que se dá numa eleição que se diz democrática, livre e soberana. 

O avanço das redes sociais como vetor de comunicação e o desmantelamento de parte da corrupção política no país podem impulsionar o voto consciente, apostam alguns especialistas sobre as eleições deste ano, confiantes de que esse cenário fará mudanças precisas no perfil dos eleitos. Mero engano? Será que o voto de cabresto, o voto comprado ou o tomado à custa de falsas promessas, ficará, de fato, para trás? 

Não é o que dizem as pesquisas de intenção de voto, embora, aqui e acolá, apareça algum percentual positivo do chamado voto de opinião em político de ficha limpa. Em geral, os números indicam que a reeleição de velhos vícios na política está garantida, ora pela tal coligação partidária que junta votos num mesmo balaio para eleger grupos, ora pela condução dos quase sempre os mesmos candidatos para as majoritárias.

Ou seja, os velhos caciques continuam no topo da escolha de grande parte do eleitorado que declara sua intenção de voto. Há uma estimativa significativa dos que, nessas pesquisas, aparecem como voto nulo, branco ou que não sabem ou não quere se manifestar a respeito dos candidatos. Mas essa é uma parcela que apesar de poder mudar qualquer resultado, não segue unânime. E, como eleição não é uma matemática lógica, quem hoje vota em A, pode mudar a opção para B, a depender do decorrer da campanha. 

O fato é que a realidade aponta para a ainda existência do voto manipulado. E como reagir a ele? Qual candidatura tem o discurso limpo para mobilizar e estrutura suficiente para manter essa mobilização durante toda a campanha? Analistas políticos avisam que o tom é a honestidade, que o eleitor quer votar em político honesto. Será? As intenções de voto não têm feito essa distinção de forma clara e o que aparece são currais eleitorais em voga.

É possível se mudar essa situação, mas a curto prazo não parece mais ser viável, mesmo assim, é preciso que algumas instituições, como o Ministério Público e Polícia Federal, se mantenham vigilantes contra os crimes eleitorais, e que a imprensa cumpra seu papel de mostrar quem é quem nessa eleição, de forma tão honesta quanto se especula que esse é o desejo do voto do eleitor brasileiro.

É como diz o próprio Estadão: “O Brasil está sonhando com uma ressurreição moral que sabe que não virá. O que faz o padrão moral da política é a regra do jogo, e não a iluminação pelos céus de um mítico “candidato honesto”. 

Ou virá?


*Editorial da edição 19 da Revista Painel Alagoas 


Em Pauta por Eliane Aquino

Jornalista, com formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.É editora geral da revista Painel Alagoas.

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