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21/06/2018 às 12h45

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Assédio moral no Santa Rosa. Quem toma providências?


Como um Colégio como o Santa Rosa, aqui em Maceió, tradicional, com tantas boas referências, pode acobertar que um professor abuse moralmente de uma aluna? Pode ser conivente, apoiar, e até expor outras alunas numa apuração de faz de conta para se colocar conivente com uma situação tão grave como é o bullyng? 

Estou estarrecida.

Minha neta, adolescente, aluna desse colégio há três anos, está sofrendo assédio moral praticado por um professor há cerca de 24 meses.

Semana passada, de forma debochada, sarcástica, como testemunharam colegas da minha neta, o tal professor disse à classe que ela tirou zero na prova dele. Com um agravante, a minha neta não estava em sala de aula.

É fato que ele leu a nota de todos, mas só a dela ele fez chacota.

Chacota com quem não estava em sala de aula, chacota que incentivou outros adolescentes a tratarem dessa mesma forma a minha neta, por alguns dias seguidos.

Ressalto: as crianças não têm culpa, a culpa é do professor que as estimulou a essa prática desrespeitosa.

A culpa é da escola que não protege seus alunos de profissionais dessa laia.

Fui à direção e apresentei, por escrito, a denúncia, com degravações dos áudios recebidos pela minha neta sobre a forma como o professor se comportou a alardear que ela tirou zero na prova dele. Não questiono a nota, isso é outra história, questiono, tão somente, a forma antiética e afrontosa do professor.

Solicitei duas coisas da direção: pedido de desculpas, do colégio ou do professor (achando que minha neta poderia ter se equivocado durante todo esse tempo, que ele pediria desculpas pelo fato de ter lido em público a nota dela, e se esforçaria para que o mal-entendido fosse desfeito), e que ela não estudasse mais aquela disciplina com ele.

A direção me garantiu as duas coisas.

O pedido de desculpas era hoje. Não houve, ao contrário. 

O professor foi à sala de aula, acompanhado da coordenadora, e disse que não deveria ter lido as notas em classe, que isso não tornaria a acontecer, mas que isso é uma “coisa boba”. Tipo, por que fazer uma confusão por isso???  Nem ele, nem a direção, falaram o nome da minha neta, se dirigiram a ela. Ou seja, não houve o pedido público de desculpas, do mesmo tamanho que foi a chacota feita com a nota dela, por ele.

Na sala da direção, o referido professor, como se estivesse cumprindo uma tarefa árdua, pediu desculpas a ela. Minha neta não o desculpou, porque não era esse tipo de desculpas que ela esperava. Não ali, na frente  apenas de duas professoras e da mãe dela. E, arrogante, agressivo, o professor ainda disse à mãe minha neta que ela “terá que provar” que ele abusa moralmente da filha dela.

O Colégio? Ah, nos disse que fez a parte dele (????????)

Minha neta está deprimida, se sentindo desrespeitada, vítima de uma pessoa que não tem ética para ensinar, em um colégio onde não se sente protegida e hoje, aos prantos, mais uma vez humilhada pelo descompromisso da direção, perdeu duas provas. Não tinha condições psicológicas de fazê-las.

Há quase dois anos que ela carrega, em lágrimas silenciosas ou momentos depressivos, todo o sofrimento causado pelo assédio moral que vem sendo vítima dele. Só na semana, motivada pela humilhação de ter uma nota ruim dita em voz alta, com ares de satisfação pessoal e deboche por quem a bradava.

Eu disse a minha neta que nota ruim a gente recupera, caráter, é mais difícil, sobretudo por quem, certamente, já nasceu sem ele.

A dor da minha neta, é a minha dor, mas também a dor de outros alunos que se sentem perseguidos por esse mesmo professor, nesse mesmo colégio que acha que isso é “apenas coisa de adolescente”. Uma das diretoras chegou a insinuar para mim que as colegas da minha neta “podem ter mentido”. 

Entre o professor adulto e as crianças alunas dele, eu fico com elas. 

Vamos cuidar de minha menina com todo acompanhamento psicológico que ela precisar, vamos monitorar de mais perto a sua vida escolar, vamos à Justiça e até ao MPE, se for preciso, para defender seu direito de ser respeitada como adolescente, aluna, mulher e cidadã.

Que Deus continue abençoando minha neta e que a faça tirar, dessa lição dolorida, mais forças para enfrentar as injustiças da vida, com garra, coragem, e muita humildade no coração. Enquanto viver, estarei ao seu lado.


Em Pauta por Eliane Aquino

Jornalista, com formação em Direito, já passou por redações de várias empresas de Comunicação em Alagoas e em outros estados brasileiros, onde ocupou cargos de repórter à editora geral e funções públicas; especializou-se (no batente) em jornalismo político e tem prestado assessoria e consultoria na área de comunicação.É editora geral da revista Painel Alagoas.

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