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24/08/2020 às 09h27

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Pé torto


Qual a sensação de ser mãe, de gerar uma vida? Para a maioria das mulheres é um sonho, uma alegria, um desejo de “ser mãe”.

Qual a sensação que se instala no íntimo da mãe quando, durante a realização de uma ultrassonografia gestacional morfológica, vem um diagnóstico de que seu bebê nascerá com os pés tortos? 

Pois bem, hoje falaremos sobre esta patologia, “Pé Torto Congênito”, e sobre o tratamento que realizamos pela Técnica de Ponseti.

O pé torto congênito é definido quando encontramos, durante o exame físico do recém-nascido, quatro deformidades no pé: Equino, Varo, Cavo e Adução. É uma das patologias mais frequentes ao nascimento. O pé torto congênito pode ser uma deformidade isolada ou estar associada com outras alterações, patologias como artrogripose, mielomeningocele, paralisia cerebral, síndrome congênita do Zika.

O pé torto congênito ao exame físico pode apresentar-se flexível, o qual provavelmente iremos classificá-lo de postural. O rígido, classificaremos como pé torto congênito idiopático, sem causa desconhecida, e em pé torto congênito teratológico ou teratogênico, neurológico e sindrômico, quando vem associado a uma outra patologia. Entretanto, vale salientar que a etiologia do pé torto congênito continua desconhecida existindo várias hipóteses.

A incidência do pé torto congênito varia de região para região, entre outros fatores, podendo ser maior ou menor de local para local.  De uma maneira geral varia de 1 a 2 pacientes por 1.000 nascidos vivos, entretanto, a autores que relatam como descritos no SOS RESIDÊNCIA EM ORTOPEDIA PEDIÁTRICA – USP, FMUSP uma incidência de 1 a 4 para cada 1.000 nascidos vivos. Existe um acometimento bilateral em torno de 50 % dos casos e, quando unilateral, o lado direito tem uma incidência um pouco maior. O sexo masculino é o mais acometido numa proporção de 2:1 quando comparado com o feminino.

O diagnóstico é clinico, ou seja, ao examinar o recém-nascido logo após o parto encontramos as deformidades. Entretanto com o avanço do estudo ultrassonográfico, podemos obter o diagnóstico de pé torto congênito pré-natal. Não se faz necessária radiografia dos pés para fechar o diagnóstico, a radiografia serve para estudarmos o ângulo de Kite, que é a angulação formada entre o osso tálus e o calcâneo tanto na incidência AP como no perfil. Enfatizo que o diagnóstico do Pé Torto Congênito é clinico, realizado através do exame físico.

Com relação à fisiopatologia encontramos uma alteração nas moléculas de colágenos presentes em tendão, músculos, ossos, que compromete principalmente as estruturas póstero-mediais do pé, promovendo as deformidades. Normalmente encontramos uma atrofia da panturrilha do membro comprometido e o pé também é um pouco menor quando comparado com o pé normal. Com relação à parte óssea vale ressaltar que acontece uma luxação dos ossos navicular, calcâneo e cuboide em relação ao tálus.

Historicamente o tratamento do Pé Torto Congênito passou por várias mudanças de métodos, alternando entre tratamento conservador e o cirúrgico extenso ( onde foi verificado que o resultado trazia mais complicações, rigidez, dor e recidiva no pé tratado).

Atualmente a Técnica de Ponseti para o tratamento do Pé Torto Congênito tem revolucionado mundialmente, com ótimos resultados, desde que sejam observadas e respeitadas todas as etapas do método.

O Método de Ponseti é simples, indolor quando aplicado corretamente. Este tratamento permite correção em nossa experiência de 80 a 90% dos casos de pés tortos. Consiste resumidamente em manipulação seriada semanalmente do pé torto e confecção de aparelho gessado inquino-podálico no total de 5 a 8 semanas nos pé tortos idiopáticos, seguido de alongamento percutâneo do tendão de aquiles com mais 21 dias de aparelho gessado e depois uso de órtese de Dennis Brown que inicialmente será usada por 23 horas/dia durante 3 meses e depois 14 horas/dia até  os 4 anos de idade.

O objetivo do tratamento é que o pé torto congênito adquira a posição plantígrada, fique flexível e indolor.

O tratamento cirúrgico fica resguardado para os pés mais graves, entretanto saliento que mesmo optando pelo tratamento cirúrgico, é importante iniciar colocando o aparelho gessado com troca semanal.

Com o tratamento bem-sucedido conseguimos proporcionar um bem psico-socioeconômico para a criança, sua família e a sociedade. 

O Pé Torto é uma causa de SAÚDE PÚBLICA e tem que ser encarado desta maneira, pois modifica não só o pé, mas a vida da criança.

Dicas:

  1. Realizar o diagnóstico clinico precoce.

  2. Iniciar precocemente o tratamento pela técnica de poseti.

  3. Seguir a risca o passo a passo da técnica, para isto um ortopedista experiente, familiarizado com a técnica.

  1. Perseverança por partes dos pais no uso da órtese


Dr. Rogério por Dr. Rogério Barboza

Rogério Barboza da Silva é alagoano, médico ortopedista. É preceptor de  residência médica em ortopedia e traumatologia do Hospital Veredas. Coordena a Liga Acadêmica de Ortopedia e Traumatologia (LAORTT/UNIT) e o Núcleo de Assistência do Pé Torto(NAPTC). É Professor Especialista do  curso de medicina da UNIT/AL.

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