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04/09/2019 às 06h00

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O silêncio mata, precisamos falar sobre suicídio

Começou o mês de setembro, e com ele, um debate que sempre gera muita polêmica, a prevenção ao suicídio. O mês amarelo surgiu em 2015, foi criado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). E porque tanto receio da maioria das pessoas em falar sobre o assunto? Porque é difícil aceitar que existe o problema. O mundo está doente. Mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo o planeta. No Brasil, pesquisa recente mostra que 5,8% têm a doença. Eu sofro dela. Sim, há anos luto contra esse mal. A principal barreira que eu encontrei foi aceitar. Não foi fácil. Bate um sentimento de tristeza e desânimo, uma desesperança. Mas é comum a gente achar que é coisa passageira. E o tempo vai passando, a tristeza persiste, os sintomas se agravam, e muitas vezes pode ser tarde. Não tenho conhecimento científico suficiente para tentar explicar as causas, mas sinto na pele. Perdemos o prazer por coisas que gostávamos, o sono fica comprometido, a alimentação desregula, o humor se transforma, entre tantos outros sintomas. E muitas vezes são sintomas perceptíveis. Mas as pessoas se olham menos, se percebem menos. A sociedade conectada se tornou impessoal. No entanto, pode ser parceira também. Muitas pessoas se abrem na internet, dão sinais claros de que algo está errado. Precisamos prestar mais atenção nos outros. Os números são assustadores. Cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida todos os anos no mundo, e isso vem aumentando. No Brasil não é diferente. A cada 46 minutos em média, alguém se mata no nosso país. O suicídio já a segunda maior causa de mortes entre jovens entre 18 e 29 anos. A depressão será a principal causa do afastamento das pessoas do trabalho a partir de 2020. E falamos tão pouco..…

Gente, não é proibido debater o assunto. Pelo contrário, é importantíssimo. A OMS, Organização Mundial de Saúde, lançou em 2000, um manual que tem como principal objetivo orientar profissionais da mídia de como abordar jornalisticamente o assunto. Geralmente as mortes não são divulgadas. Mas vamos fazer uma reflexão. O impacto das notícias na vida de todos é muito grande. Porque não usar essa força para discutir o tema?

Infelizmente alguns absurdos são cometidos. Amigos, existem jornalistas que noticiam o ato como suicídio bem sucedido. Um ato que resulta em morte pode ser considerado algo “bem sucedido”. Deveria ser usado o termo “consumado”. O que não pode nunca ser feito são absurdos como publicar fotografias do falecido ou cartas suicidas, informar detalhes específicos do método utilizado, glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso, atribuir culpas. Mas o problema está aí, e com pessoas próximas morrendo. E é a pior morte possível porque quem fica, leva pra sempre essa dor. 

Mas existem saídas. Conversar é a principal. Procurar ajuda de profissionais é o primeiro passo. Existem também instituições muito sérias que oferecerem de forma voluntária, apoio à quem precisar. O CVV, Centro de Valorização da Vida é um grande exemplo. O serviço funciona 24 horas e todos os dias. O número é super simples, 188. E lembrem-se, quem vai te atender só quer te ouvir, não te julgar. É possível sim, vencer essa doença mas, primeiro, é preciso aceitar que se está doente. Que esse mês sirva para abrir mentes e salvar vidas, pois estudos recentes da OMS mostram que 9 em 10 homicídios poderiam ser evitados. Nunca se esqueçam, expressar o que se sente pode ser libertador.



Fonte: Oscar de Melo


Blog do Oscar de Melo por Oscar de Melo

Jornalista, Radialista, e estudante de Marketing. Apaixonado pela comunicação, e sempre querendo aprender.

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